DANILO UCHA | Copa e negócio

O peso dos 30% aos motoboys

DANILO UCHA-JN/ESPECIAL/JC

Vinicius Piazzeta, diretor da Pactum

Vinicius Piazzeta, diretor da Pactum

No primeiro momento, quando a presidente Dilma Rousseff assinou, dia 18, a lei que garante adicional de periculosidade a quem trabalha em motocicleta, tudo foi comemoração. Todo mundo reconhece o perigo da atividade dos motoboys nas ruas congestionadas das grandes cidades brasileiras e a importância do seu trabalho exatamente na superação de atrasos e dificuldades causados pelos congestionamentos. Agora, no entanto, vários setores empresariais começam a analisar o peso de 30% nos custos de suas atividades que dependem de tais profissionais. Todos os produtos que dependem da entrega por motoboys terão aumento imediato e direto de 30%, tanto o pequeno Xis Moita do bairro ou da vila quanto as grandes empresas que têm sua comercialização com base nas motos ou os grandes bancos, um dos setores que mais usa o sistema. Vinicius Piazzeta, diretor da Pactum Consultoria Empresarial, que presta assessoria jurídica e tributária, diz que “haverá reflexo imediato sobre o consumidor, que pagará mais pelos produtos, e sobre o emprego, pois muitas empresas não suportarão um aumento abrupto de 30% em seus custos”. Para ele, a medida do governo foi “um tiro no pé”, pois as empresas desempregarão ou irão para a informalidade.

Ganhos e perdas

Não me venham com a conversa de que todo mundo está ganhando dinheiro com a Copa do Mundo no Brasil. Não é o que dizem, em Porto Alegre, os motoristas de táxi e o comércio em geral. Ao contrário. Taxistas que faturavam, em média, R$ 400,00 por dia, estão recebendo apenas R$ 200,00. Tanto no transporte quanto no comércio, o motivo da queda de movimento é o mesmo: diminuição da circulação de pessoas em consequência dos pontos facultativos no setor público e escolas e liberação de empregados nas empresas em dias de jogos. Estrangeiros que vieram a Porto Alegre não vieram para fazer compras e, no caso dos táxis, há transporte coletivo por R$ 5,00 (aeroporto) e R$ 3,00 (no Centro Histórico), além do trajeto Caminho do Gol, até o estádio Beira-Rio, ser feito, normalmente, a pé.

Brasilberg

Os gaúchos são os maiores consumidores da bebida digestiva Brasilberg, produzida pela Underberg do Brasil — compram 26% da produção. Agora, vão ter concorrentes, pois a empresa, aproveitando a visibilidade do País com a Copa do Mundo, começou a exportar a Brasilberg. De amargor suave e equilibrado, com teor alcoólico de 42%, a bebida é uma versão brasileira da receita original, o Underberg alemão, e existe aqui desde 1933.

Gestão

O diretor-geral do Tribunal de Contas do Estado, Valtuir Pereira Nunes, confirmou que fará palestra na 15ª edição do Congresso Internacional da Gestão, dias 7 e 8 de agosto, na Fiergs. O evento é promovido pelo Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade.

Carvão

A Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec) recebeu a primeira parcela (R$ 1,04 milhão) do projeto Síntese para a Cadeia Carboquímica, liberado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. A verba foi negociada pelo secretário estadual da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico, Cleber Prodanov, e o presidente da Cientec, Luiz Antonio Antoniazzi, na semana passada, durante reunião em Brasília com o secretário executivo do MCTI, João Alberto De Negri. Já perdi a conta dos projetos gaúchos de gaseificação do carvão sobre os quais escrevi nos últimos 48 anos!

Modernidades

Tive vários amigos que morreram sem acreditar na existência do ovo em pó. Morreriam de novo, agora, se fossem na feira SIAL Paris, que começou ontem em São Paulo. Entre as 500 marcas nacionais e internacionais, de mais de 20 países, há bife vegetal em pó (feito de linhaça e banana verde) e queijo vegetal desidratado em pó (elaborado com batata, salsa e mandioca). O primeiro não tem soja nem glúten; o segundo é livre de lactose, caseína (proteína do leite) e glúten. O nome do produtor já é significativo: quebra-cabeça. Entre os produtos inovadores, alcaparras crocantes e ketchup de manga, além de uma pizza Margherita Sri pronta para comer a qualquer hora.

Copa e negócio

Importadores norte-americanos estiveram em Brasília, vendo o jogo da seleção brasileira no estádio Mané Garrincha e tratando de negócios com a cachaçaria gaúcha Weber Haus. O diretor Evandro Weber acompanhou os proprietários das churrascarias Plataforma e Rodízio Grill, com várias unidades nos Estados Unidos, e vieram ao Brasil a convite do projeto Copa do Mundo, desenvolvido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com a proposta de promover rodadas de negócios.

Copa e negócio II

Já Beatriz Dockhorn, da Bia Brazil, que neste ano comemora 20 anos, recebeu, na fábrica, em Porto Alegre, Nathalie Baaklini, gerente de marketing do Palácio de Hierro, a maior rede de magazines do México, que aproveitou os jogos da Copa para fazer aquisições para os desfiles de 2014 e 2015.

Mais roubo

Apesar das autoridades estaduais falarem em diminuição da criminalidade na Capital, o roubo de carros continua intenso e crescente. O índice de furtos e roubos de veículos na Capital avançou 40% em abril de 2014, em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo o Sindicato das Seguradoras-RS, com números fornecidos pelas seguradoras que atuam em Porto Alegre. A análise é feita apenas com a frota segurada e envolve veículos com média de três anos de uso. Em cerca de 80% dos casos, os veículos são roubados com ameaça ao segurado, quase sempre com arma de fogo.

Aquisição

A Stone Capital Investimentos e o escritório Zulmar Neves Advogados fizeram a intermediação para a venda da Transdiesel, de Carazinho, para investidores não divulgados do mercado de combustíveis. A aquisição foi de 100%, mas o valor também não foi divulgado.

O Dia

  • O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Luiz Aubert Neto, concederá entrevista on-line, às 13h50min, diretamente de São Paulo, para divulgar o desempenho do setor de bens de capital mecânicos, referente ao mês de maio de 2014. Aqui, será na Fiergs.

 

Fonte: Jonal do Comércio |

DANILO UCHA
ucha@jornaldocomercio.com.br
Painel Econômico

Coluna publicada em 25/06/2014

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *