Cutrale e Safra elevam oferta pelo controle da Chiquita

Os grupos brasileiros Cutrale e Safra elevaram sua oferta pela Chiquita Brands de US$ 14 para US$ 14,50 por ação, em uma derradeira tentativa de abocanhar o controle da companhia americana de banana, fundada há 144 anos. O bilionário banqueiro Joseph Safra e José Luís Cutrale, que comanda uma das maiores empresas brasileiras de suco de laranja, defenderam que sua proposta oferece mais valor que o embutido no acordo de fusão da Chiquita com a irlandesa Fyffes, de Dublin. Além disso, afirmaram que sua proposta, se aceita, não deverá enfrentar obstáculos regulatórios.

"Com base no valor de negociação da ação, os Cutrale-Safra acreditam que o ágio efetivo em relação à transação com a Fyffes é hoje de aproximadamente 20% ou mais", sustentaram os grupos brasileiros em carta enviada ontem ao conselho de administração da Chiquita. Para José Luís Cutrale, velho amigo da família Safra, a aquisição da Chiquita permitiria que sua empresa se diversificasse e dependesse menos de suco de laranja, um mercado em desaceleração. Embora as empresas de banana tenham enfrentado dificuldades em função da corrosão das margens causada por pragas e guerras de preços no varejo, a fruta ainda é a mais negociada do mundo – suas vendas mundiais renderam US$ 7 bilhões no ano passado.

Safra e Cutrale apresentraram sua primeira oferta de tomada de controle da Chiquita (US$ 13 por ação) em agosto. A proposta foi recusada, mas, após convencer a Chiquita a autorizá-los a concluir o levantamento financeiro da empresa, conhecido como "due dilligence", os brasileiros fizeram o que os analistas entenderam como uma última e definitiva oferta, de US$ 14 por ação, na semana passada, que voltou a ser recusada apenas um dia depois. A proposta de US$ 14,50 de ontem veio literalmente às vésperas da assembleia da Chiquita marcada para esta sexta-feira em que os acionistas deverão votar a fusão com a Fyffes, anunciada pela primeira vez em março. Se concretizado, o negócio criará o maior grupo mundial de banana.

Na tentativa de manter seu negócio vivo, a Fyffes melhorou as condições de sua proposta de fusão há cerca de um mês, quando elevou a pretendida participação da Chiquita na empresa resultante para 59,6%, em relação aos 50,7% anteriores. Embora a oferta dos brasileiros ofusque a transação com a Fyffes, toda em ações (US$ 11,80 por papel da Chiquita), uma fusão com a empresa irlandesa daria maior controle aos acionistas da Chiquita. A Fyffes também argumenta que o negócio ofereceria mais valor no longo prazo.

"Comparativamente, o negócio com os Cutrale-Safra subestima o potencial da empresa e representa apenas um valor finito, limitando grandemente a vantagem para os acionistas da Chiquita", disse a Fyffes depois da apresentação da oferta das famílias Cutrale e Safra, na semana passada. Embora alguns analistas tenham dito que os brasileiros não conseguirão ficar com o negócio se não elevarem sua oferta para ao menos US$ 15 por ação, as empresas de assessoria em voto por procuração conclamaram os acionistas a examinar a oferta brasileira. (Tradução de Rachel Warszawski)

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Fonte: Valor | Por Samantha Pearson | Financial Times

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