Custos reduzem lucro de produtores gaúchos

Safra recorde deve compensar perdas com aumentos verificados nas culturas de soja, trigo e milho, segundo apontou estudo da Fecoagro

Em uma colheita recorde de grãos (soja, milho, feijão, trigo e arroz), que deve superar os 30 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul, os custos em elevação reduziram as margens na comparação com o ano passado nos três produtos avaliados pelo estudo da entidade. Os números integram estimativas de custo e rentabilidade nas safras de soja, milho e trigo no período 2013/2014, divulgadas ontem pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro-RS).
No cenário mais favorável, a soja demanda investimentos de R$ 1,76 mil por hectare plantado, resultado 9,45% acima do registrado no ano passado. Por cada saca de 60 kg, os produtores desembolsam R$ 42,06, o que reduz o lucro, que era de 72% por saca em 2012, para 58,56% em 2013.
Na composição dos custos, as aplicações de defensivos, os combustíveis e a mão de obra têm feito a diferença. Apenas os inseticidas contra a Helicoverpa armigera geram custos adicionais de R$ 73,60 por hectare. Esse é o preço médio de duas aplicações contra a lagarta que resultou em prejuízo de R$ 1,2 bilhão na safra de soja da Bahia no ano passado. “É hora de cautela, pois há casos de produtores que preparam quatro aplicações. É preciso buscar referencial técnico antes de definir a aplicação. Sabemos que muitos já anteciparam a compra de insumos e a aplicação errada ainda pode ampliar a resistência da praga”, alerta o superintendente da Fecoagro, Tarcísio Minetto. Além disso, o novo reajuste dos combustíveis acrescenta 0,5% aos custos totais de produção.
No trigo, por exemplo, apesar de equilíbrio nos preços, há alteração nos resultados. Isso em razão da retirada da Tarifa Externa Comum (TEC), que incidia em 10% sobre o cereal importado de países de fora do Mercosul – fato que tem desaquecido a demanda interna. De acordo com Minetto, o Rio Grande do Sul colheu 3 milhões de toneladas que estão armazenadas. O mercado internacional sinaliza preços na casa de R$ 700,00 a tonelada. Mas há um movimento de retardo dos estoques que emperra as negociações pelos próximos dois meses.
“Nós julgamos que a safra da América Latina abasteceria a demanda brasileira”, comenta. Isso porque a soma da safra nacional (5,3 milhões de toneladas) com a safra argentina (9 milhões de toneladas, sendo 3 milhões destinados à exportação) teria condições de abastecer a demanda por 3,3 milhões de trigo estrangeiro. Para o Rio Grande do Sul, que necessita exportar ou escoar para outros estados cerca de 1,7 milhão de toneladas de trigo, o efeito é ainda mais perverso. Segundo o superintendente, em razão da composição dos custos (alíquota de ICMS e frete), o produto gaúcho perde 25% da competitividade nos principais mercados compradores do País.
Já para o milho, a situação é considerada equilibrada. O Rio Grande do Sul é um tradicional importador do cereal, com demanda acima de 1 milhão de toneladas, entretanto, o custo de produção é de R$ 23,94 por saca de 60 kg, o que gera a estabilização entre as despesas e receitas.  Em relação à safra passada, a quantidade de sacas a ser produzida para cobrir os gastos totais foi ampliada em 19,53 % e o preço médio pago reduzido em mais de 24% em 12 meses.

Fonte: Jornal do Comércio | Rafael Vigna

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