Custos da safra 2020/2021 já subiram até 5% no RS

Farsul teme que o próximo verão seja novamente de altas temperaturas

Com custos operacionais já 5% mais altos registrados para o futuro plantio da safra 2020/2021, os produtores gaúchos têm no travamento de preços e nos contratos futuros o melhor caminho para garantir a lucratividade da próxima colheita.

De acordo com Ruy da Silveira Neto, economista da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), a elevação nos custos é generalizada. Para o plantio do milho, a alta alcança 2% extras, e no arroz, 4%. "E ainda podemos ter elevação maior desses custos caso seja aprovada a reforma tributária como foi apresentada pelo governo gaúcho, porque há aumento de carga para os fertilizantes", alerta o economista.

Em apresentação realizada na manhã desta quinta-feira (3) pela entidade, denominada Campo Futuro, Silveira também informou que a safra 2020/2021 poderá ser marcada por um verão novamente mais quente que a média. Um cenário que deixa em alerta agricultores de todo o Estado, já prejudicados em grande parte pela estiagem deste ano.

A falta de chuva implicou perdas significativas de produtividade na soja e no milho, em também em outras culturas, e consumiu boa parte dos ganhos que seriam obtidos com a expansão atual dos preços das commodities.

A estiagem causou danos significativos inclusive nas áreas irrigadas, e em um volume considerável, aponta o estudo da Farsul.

Na soja, conforme dados coletados a partir de Cruz Alta, a produtividade mesmo em lavouras que adotaram a irrigação tecnologia caiu de 80 sacas no ciclo 2018/2019 para 63 na safra 2019/2020. Acima inclusive do milho, com queda de 220 sacas para 180 no mesmo período – retração de 18%.

Os bons preços atuais, ressalta o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, porém, não significam necessariamente renda direta no bolso do produtor, a menos que ele faça agora negociações para o próximo ciclo aproveitando essas cotações para travar preços.

Apesar de as cotações da soja registrarem patamares históricos, na casa dos R$ 130,00 a saca, a maior parte da venda da colheita de 2020 ficou em patamares bem inferiores, pondera Luz. Da mesma forma como ocorre no arroz, um dos destaques deste ano em preços e produtividade.

"A maior parte dos grãos não está mais nas mãos dos produtores.

O arroz, por exemplo, já foi todo vendido, em um preço excelente (em média de R$ 55) mas não nos patamares atuais, de R$ 100. Esse preço mostra, na verdade, a escassez do grão no momento", explica Luz.

Perdas e ganhos no atual ciclo O arroz apresentou seu melhor resultado histórico, reflexo de uma melhora de rendimento e preço recorde. Entretanto, a cultura sofreu longos períodos de margens negativas e dificuldades para remunerar os seus investimentos. Assim, 2020 é apontado pela Farsul como um ano chave para os agricultores poderem recuperar o seu caixa.

A produtividade foi bastante afetada na soja e no milho sequeiro, e se não fosse a boa conjuntura atual de preços, as margem brutas de lucros dos produtores no Rio Grande do Sul teriam sido piores que os observados nos levantamentos atuais e do ciclo passado.

Com o dólar elevado e uma Inflação no Custo de Produção de 4,14% no acumulado em 12 meses (IICP/Julho), a tendência e que o Custo de Produção da Safra 2020/2021 seja o maior da história no Estado.

Fonte: Jornal do Comércio

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