Custos da produção sobem 2,57% no semestre

Alta de 26% do câmbio foi principal responsável pelo incremento

Os custos de produção do agronegócio tiveram um aumento superior ao IPCA no primeiro semestre do ano, puxados pelo dólar, de acordo com levantamento divulgado pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

Enquanto o índice de preços ao consumidor registrou uma alta de 0,10%, o IICP (Índice de Preços dos Custos de Produção), no Rio Grande do Sul, chegou a 2,57% de janeiro a junho de 2020 em relação ao mesmo período de 2019.

O aumento de 26% na taxa cambial durante o período foi o principal responsável pelo resultado.

Os números só não são maiores porque o IICP teve uma retração de 1,03% em junho em decorrência da queda de 7% da taxa cambial, anulando o impacto da recuperação dos preços dos combustíveis no último mês, após uma desvalorização de 37% nos meses anteriores. No acumulado em 12 meses, o IICP chegou a uma alta de 2,21% e o IPCA ficou em 2,13%.

Neste cenário, a equipe econômica da Farsul alerta aos produtores que é necessária atenção aos custos de produção. A tendência é uma recuperação no preço do petróleo durante o segundo semestre, com a manutenção de uma taxa cambial elevada.

Se o câmbio encareceu os insumos para os produtores, ele também foi responsável por anular a queda, no cenário internacional, dos preços dos principais produtos produzidos no Estado.

O IIPR (Índice de Preços Recebidos pelos Produtores Rurais) atingiu uma alta de 24,16% nos primeiros seis meses do ano. Números bem superiores ao IPCA Alimentos que ficou em 4,09%.

Na comparação com os meses mais recentes, junho teve o IIPR com o menor índice, ficando em 0,93%, resultante da queda cambial no mês. O distanciamento entre os preços do campo e das prateleiras de supermercados ficam mais evidentes quando a comparação é feita no período de um ano.

Nos últimos 12 meses, o IIPR chegou a um crescimento de 36,08%, enquanto o IPCA Alimentos ficou em 7,61%. Esses resultados são reflexos de uma taxa cambial que atingiu patamares históricos, contribuindo para uma valorização dos preços agrícolas, enquanto as medidas preventivas à pandemia de Covid- 19 geraram uma baixa atividade econômica, afetando os produtos que compõem a cesta do IPCA Alimentos.

Fonte: Jornal do Comércio

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