Cultivar soja sobre soja é decisão desastrosa, avisa o consultor Áureo Lantmann

Especialista recomenda que produtores trabalhem com vazio sanitário e eliminação da ponte verde

Áureo Lantmann, consultor do Soja Brasil

Áureo Lantmann

Foto: Áureo Lantmann

Palha de soja pode abrigar vários patógenos e um grande número de pragas – Soja Brasil – Canal Rural

Ao mesmo tempo em que produtores entendem e aceitam o vazio sanitário e a eliminação da ponte verde como importantes ferramentas de controle de doenças da soja (ferrugem, mofo branco, cercóspora, nematoides de galha, cisto) e também como mecanismo de controle de pragas (percevejos verde e marrom e a helicorverpa), há quem ainda assim prefira cultivar soja sobre soja. Ou seja, irão semear logo após a colheita da safra 2013/2014.

Essa atitude representa uma contra tecnologia, um tiro no pé, uma ação desastrosa.

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Uma das formas de reduzir a ação nefasta da helicoverpa é evitar a “ponte verde”, na qual o inseto se hospeda e continua seu ciclo de vida. Ao plantar soja sobre soja, o produtor cria uma condição favorável para que a helicoverpa se abrigue. Ela se hospeda e se alimenta da soja recém germinada, e logo cria um novo habitat no período vegetativo. Ou seja, a “ponte verde favorece para que a lagarta se abrigue, se alimente e se reproduza, exigindo baldes de inseticidas poderosos para sua eliminação.

Algumas pragas de raiz, como o percevejo castanho e os corós, terão seus ciclos de vida bastante favorecidos com o cultivo contínuo de soja, o que demanda um controle com inseticidas além do que já se pratica.  

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É muito importante respeitar o vazio sanitário para controlar a ferrugem e diminuir o inoculo na safra seguinte, bem como a eliminação de plantas voluntárias de soja (guaxa ou tiguera). Mas com o cultivo de soja sobre soja, a pressão de inoculo só tende a aumentar. 

O cultivo de soja em sucessão a soja pode inviabilizar no médio prazo o cultivo desta leguminosa, de forma técnica, uma vez que doenças e pragas irão adquirir em tempo mais curto resistência aos princípios ativos e às moléculas dos inseticidas e fungicidas. E econômica, aumentando os custos de produção com os defensivos.

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CANAL RURAL

Fonte: Ruralbr

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