CSN reforça medidas para suas barragens

Depois de Brumadinho, a CSN Mineração, empresa controlada pela siderúrgica de Benjamin Steinbruch e que tem grupos asiáticos como sócios, vai reforçar a implementação de medidas para reduzir ao máximo os riscos associados à sua operação de minério de ferro no complexo de Casa de Pedra, em Congonhas (MG). Após a tragédia de Mariana, em 2015, e sob pressões da população, de ambientalistas e do Ministério Público, a CSN passou a dar maior atenção ao beneficiamento a seco do minério, sem o uso de água. Agora, o plano da empresa é chegar ao fim de 2019 eliminando por completo a deposição de rejeitos na principal barragem da empresa em Casa Pedra, construída pelo método a jusante e que ainda está ativa. Esse reservatório é considerado de baixa probabilidade de risco, mas tem alto potencial de dano por estar situado muito próximo à área urbana de Congonhas.

Depois do rompimento de Feijão, a CSN procurou fazer um alinhamento na sua diretoria sobre a situação de suas barragens. O Valor apurou que houve uma reunião de toda a diretoria – com executivos e gerentes e a presença do próprio Steinbruch – na sexta-feira, na sede da companhia em São Paulo. O tema barragens predominou nas apresentações. Procurada, a empresa não confirmou esse evento nem quis se pronunciar sobre o assunto.

A avaliação dentro da CSN é de que as barragens da companhia oferecem conforto, em termos de gestão de risco, mas, mesmo assim, a empresa continuará tomando medidas para reduzir esses riscos ao máximo possível.

O plano da CSN Mineração prevê, a partir de 2020, não fazer mais nenhum depósito de rejeito na barragem da mina Casa de Pedra. A barragem tem alteamento a jusante, com fundação feita no terreno com estrutura mais firme. Já no sistema a montante, como as de Brumadinho e Mariana, o reservatório é expandido com os próprios rejeitos. No caso da CSN, a empresa vem investindo em tecnologias de processamento a seco, que são mais caras e resultam em produto final com menor teor de ferro (mais pobre comercialmente), embora essa tecnologia elimine o risco associado ao uso de barragens.

O planejamento da CSN Mineração prevê, primeiro, aumentar o processamento a seco em Casa de Pedra para depois descomissionar (fechar) a principal barragem do complexo. No momento, segundo informações, após compra de dois sistemas de beneficiamento (separação magnética e filtragem), a empresa já está processando 40% do rejeito da mina a seco, que é compactado em um local já licenciado para deposição do material inerte. Até julho deve iniciar operação da outra unidade, permitindo chegar ao fim de 2019 com 100%. Na compra dessas instalações, a CSN teria investido em torno de R$ 200 milhões.

Nesse processo, os rejeitos líquidos são retirados com drenagem, um processo que não ocorre de uma hora para a outra. O descomissionamento dessa grande barragem será feito depois do término da deposição de rejeitos a úmido. A barragem tem capacidade de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos, mas tem ao menos um terço não utilizado. No total, a CSN tem nove barragens, sendo as demais de menor porte e algumas delas construídas a montante que estão inativas ou em fase de descomissionamento.

Além da barragem grande em Casa de Pedra, conhecida como B6, a empresa tem outras duas desativadas (B4 e B5). No município de Rio Acima, há mais de um ano está em fase de descomissionamento da barragem de Fernandinho, que tem outras três auxiliares. Outra instalação é a do Pires, com duas barragens na região entre Congonhas e Ouro Preto.

Segundo informações do site da empresa, a CSN Mineração é a segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil, atrás da Vale. Há estimativas que a produção anual de Casa de Pedra está em ritmo de 34 milhões de toneladas de minério de fero por ano. Além da planta principal de beneficiamento, a empresa tem plantas móveis que processam material pelo sistema de tecnologias a seco.

Por Francisco Góes e Ivo Ribeiro | Do Rio e de São Paulo

Fonte : Valor

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