CRV investe para ampliar sua liderança em genética

Silvia Costanti/Valor / Silvia Costanti/Valor
Vladimir Walk, diretor de operações da CRV para a América Latina: aquisição de centrais de inseminação está no radar

Quando o zootecnista holandês Vladimir Walk desembarcou no Brasil, em 2008, a multinacional belgo-holandesa CRV, uma das maiores empresas de genética bovina do mundo, preparava sua primeira grande expansão no país. Recém-chegado ao município de Sertãozinho (SP), coube ao executivo comandar o salto da companhia, que fez do Brasil o segundo país mais importante no tabuleiro do grupo. Agora, a CRV já se estrutura para aproveitar o boom do mercado de inseminação artificial e elevar seu faturamento no país em quase 50% em três anos, para R$ 125 milhões.

Para atingir a meta pretendida, a CRV comprou recentemente uma fazenda para ampliar a capacidade de produção de sêmen da unidade Central Bela Vista, localizado em Pardinho, no interior de São Paulo. A aquisição de novas centrais de inseminação também está no radar da empresa, afirmou ao Valor Vladimir Walk, diretor de operações da CRV para a América Latina.

No ano fiscal 2011/12, encerrado em setembro, a companhia belgo-holandesa obteve receita de R$ 85 milhões no Brasil, incremento de 30,7% sobre os R$ 65 milhões registrados no ano anterior. Essa fatia brasileira representou cerca de 20% do faturamento global da CRV, que foi de €165 milhões – R$ 440 milhões – na temporada. Atualmente, as operações da empresa no Brasil só perdem para a Holanda. Além desses dois países, a CRV detém centrais de inseminação na Alemanha, República Tcheca, Estados Unidos e Nova Zelândia.

"Nosso foco é crescer na Oceania e na América Latina", disse Walk, animado com a tendência de intensificação de tecnologia na pecuária brasileira. O executivo acredita que os produtores de gado do país não conseguirão sobreviver nos próximos anos sem a adoção de práticas como a inseminação artificial, atividade que vêm crescendo a taxas de dois dígitos nos últimos anos. "Os custos dos nossos clientes estão muito elevados. Eles precisam ser bem mais competitivos", argumenta ele.

Diante da necessidade de maior produtividade, Walk acredita que a comercialização de sêmen bovino no país deverá crescer cerca de 15% ao ano pelo menos até 2015. A taxa de pecuaristas que utilizaram inseminação artificial é considerada baixa. Para a pecuária leiteira, o porcentual chega a 12%, enquanto que na pecuária de corte esse índice é de apenas 8%, segundo o diretor.

No ano passado, as vendas de sêmen no Brasil totalizaram 11,9 milhões de doses, segundo dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia). A CRV responde por mais de 25% desse mercado. No ano-fiscal 2011/12, a empresa comercializou 4,5 milhões de doses.

Com atuação no Brasil desde 1998, quando adquiriu a central de inseminação Lagoa da Serra, a CRV conta com três unidades no país. "Cada negócio tem gestão separada", explica o diretor da companhia. Agora chamada de CRV Lagoa, a antiga Lagoa da Serra responde por 75% do faturamento do grupo no Brasil. A unidade está localizada em Sertãozinho e tem capacidade estática para abrigar 150 touros.

A maior parte desses animais pertence a pecuaristas, que ganham com os royalties sobre a venda do material genético. O preço médio de cada dose de sêmen vendida pela CRV Lagoa é de R$ 22.

A multinacional belgo-holandesa conta, ainda, com a Central Bela Vista, adquirida no ano passada. Trata-se da maior unidade do segmento no país, com capacidade estática de cerca de 300 touros. Essa capacidade será de cerca de 500 animais com a nova fazenda comprada recentemente. A estrutura dessa propriedade está em construção.

Apesar da maior capacidade, a Central Bela Vista gera menos receita do que a CRV Lagoa. Isso porque o modelo de negócios da Bela Vista é de prestação de serviços, ou seja, a unidade recebe animais de criadores ou outras de centrais como a concorrente Alta Genetics para produção de sêmen. "Meu negócio é produzir sêmen sobre encomenda. Eu não tenho equipe de vendas", afirma Antonio Esteves, gerente de operações Central Bela Vista. Em 2011, a unidade congelou 1,6 milhão de doses de sêmen bovino, a um preço entre R$ 3,50 e R$ 4.

Desde 2009, a CRV também detém 50% da operação brasileira da Sexing Tecnologies, laboratório americano especializado na produção de sêmen sexado. A parceria entre o laboratório americano e a companhia belgo-holandesa também está em expansão, com a construção de um laboratório em Uberaba. A empresa não divulga os dados de faturamento dessa divisão.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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