Crise influencia fusão de empresas de aves no PR

Um mês depois de o secretário de Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, informar que bancos trabalhavam com a possibilidade de estimular fusões e aquisições de empresas que atuam na área avícola para evitar quebras no segmento, a primeira negociação foi fechada. A Averama, que tem sede em Umuarama, vai unir-se à BR Frango, de Santo Inácio, municípios localizados no noroeste do Estado.

A conversa entre os dois começou há seis meses e o acordo para a fusão foi fechado na noite de terça-feira. As empresas agora estão em processo de due diligence (auditoria). O BB Investimentos vai ajudar na consolidação, para definir os percentuais de cada sócio. Não devem ser feito desembolsos, segundo informou o dono da Averama, Célio Batista Martins, que fundou a empresa há 25 anos. "Passaremos a ser uma das maiores empresas do segmento no Paraná", completou.

A Averama tem dois frigoríficos, um em Umuarama e outro em Rondon (onde opera com a marca Pramin), ambos habilitados para exportação. A empresa abate cerca de 150 mil frangos por dia nessas unidades. Martins contou que a planta da BR Frango estava parada. Desde a semana passada, no entanto, a Averama passou a abater cerca de 30 mil aves por dia no local.

A planta da Frango BR entrou oficialmente em operação em março, com capacidade para abater 210 mil frangos por dia em dois turnos de trabalho. Com investimentos em ampliações, pode dobrar de tamanho.

No mês passado, Reinaldo Morais, presidente da BR Frango, disse que o aumento nos preços dos grãos levou a dificuldades com capital de giro e crédito e que algumas conversas estavam acontecendo entre empresários da área. "Todo dia recebo ligações com sondagens, especulações e interesse de investidores", contou. "Todo mundo está se movimentando. Falta aparecer o primeiro corajoso."

O Valor apurou que a empresa manteve conversas com pelo menos duas concorrentes, a GT Foods e a Tyson Foods. A BR Frango possui dívidas de aproximadamente R$ 100 milhões.

A companhia foi a segunda empreitada de Morais no setor de aves. O empresário era um dos cinco sócios da Frangobras, um frigorífico com capacidade para abater cerca de 160 mil aves por dia, localizado em Campo Mourão, inaugurado em 2008 e vendido para a americana Tyson Foods naquele mesmo ano.

Morais tinha planos ambiciosos para a BR Frango. Sua meta era transformá-la na terceira maior processadora de aves do país (atrás apenas de BRF-Brasil Foods e Seara, da Marfrig) por meio da participação majoritária em pelo menos cinco novas plantas nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. A expectativa era investir cerca de R$ 800 milhões até 2017 e alcançar a marca de R$ 1 bilhão de faturamento em 2014. Só em Santo Inácio foram investidos R$ 120 milhões.

Para financiar essa expansão, a BR Frango buscou um sócio-investidor disposto a adquirir pelo menos 30% de seu capital. A processadora manteve conversas com pelo menos três fundos – um nacional e dois estrangeiros, com sede na Europa e no Oriente Médio -, mas as condições adversas do mercado inviabilizaram a negociação.

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Fonte: Valor | Por Marli Lima e Gerson Freitas Jr. | De Curitiba e São Paulo

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