Crise econômica leva Braskem a adiar projetos

MARCELO G. RIBEIRO/ARQUIVO/JC

Fadigas admite a revisão dos investimentos por causa da crise

Fadigas admite a revisão dos investimentos por causa da crise

Os problemas verificados atualmente na economia mundial e brasileira já causam impactos em projetos previstos pela Braskem. Entre eles está o da planta de polipropileno verde (feito a partir do etanol da cana-de-açúcar), que poderá ser construído no polo petroquímico de Triunfo. Inicialmente, a previsão era de que a confirmação da implantação e do lugar em que seria sediado o empreendimento ocorresse no primeiro semestre deste ano. Agora, o presidente da companhia, Carlos Fadigas, relata que a unidade ainda não tem localização definida e que a aprovação do projeto não tem data para ocorrer, devido ao cenário econômico do momento. “A Braskem vai ter que rever o ritmo de investimento”, admite Fadigas.
Conforme o executivo, o grupo precisa manter o compromisso com a sua rigidez financeira, e os investimentos devem se adequar à geração de caixa. “Em função do cenário, somos obrigados a ser mais criteriosos e rever a agenda de investimentos, mas não era esse o nosso desejo”, reitera Fadigas. A empresa estima investir neste ano cerca de R$ 1,7 bilhão.
A queda do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia é um indicador que justifica a preocupação. A Braskem alcançou em 2010 um Ebitda de cerca de R$ 4 bilhões, resultado que diminuiu para R$ 3,7 bilhões no ano passado. De acordo com o balanço apresentado ontem pela empresa, no segundo trimestre de 2012 o Ebitda atingiu R$ 845 milhões, 7% superior ao apresentado no primeiro trimestre deste ano, porém, 27% inferior ao mesmo período de 2011, fato explicado pela contração de margens da indústria petroquímica mundial. A Braskem registrou também prejuízo de R$ 1 bilhão no segundo trimestre, influenciado pelo impacto da apreciação de 11% do dólar no período sobre o endividamento da companhia.
Fadigas argumenta que a economia demonstra volatilidade tanto no mercado mundial quanto no nacional, e acrescenta que a perspectiva de um crescimento do PIB brasileiro de aproximadamente 1,8% é considerada baixa. O dirigente comenta que as indústrias químicas vêm discutindo com o governo federal e com o Bndes a elaboração de propostas para auxiliar o desenvolvimento desse setor. Entre as medidas sugeridas estão a desoneração de matérias-primas e investimentos, além de estímulo para ações de inovação e ligadas à chamada química verde (com uso de insumos renováveis).
O complexo de polipropileno verde deve absorver em torno de R$ 170 milhões. A unidade terá uma capacidade instalada de 30 mil toneladas por ano e, primeiramente, a expectativa era de entrar em operação na segunda metade de 2013. Amanhã a Braskem completa 10 anos de atividades e na sexta-feira inaugura uma planta de PVC em Alagoas, com a presença da presidente da República, Dilma Rousseff.

Fonte: Jornal do Comércio | Jefferson Klein

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