Crise e demanda maior encarecem preços de ovos no varejo

Na escala dos alimentos que tiveram demanda e preços ampliados pelo coronavírus, o ovo certamente está entre os itens no topo do ranking. Bandejas com o produto chegaram a se tornar escassas nos supermercados logo no início do isolamento social imposto no Brasil para conter o avanço do coronavírus.De acordo com levantamento de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), a dúzia do produto ficou 17,13% mais cara desde o início deste ano até final de março. Os valores pagos ao produtor subiram ainda mais, assim com os custos para alimentar o plantel, em índices bem superiores aos registrados nas gôndolas.

De acordo com dados da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), os preços negociados no mercado de Bastos (SP), uma referência do setor, atingiram o recorde de R$ 117,32 (ovo branco) e R$ 132,68 (ovo vermelho) para a caixa com 30 dúzias. A alta, respectivamente, é de 36 % e de 52% no comparativo com janeiro deste ano. Os custos, no entanto, também tiveram elevações nos mesmos patamares, destaca o diretor-executivo da entidade, José Eduardo dos Santos.

Com a estiagem, detalha Santos, a saca de 60 quilos de milho chegou a R$ 53,00, alta de 39,5% em relação ao mesmo período de 2019. E o item é insumo essencial para a criação. O farelo de soja, também fundamental para a alimentação das aves, alcançou R$ 1,7 mil a tonelada, 40% a mais do que no ano passado, segundo a Asgav. “A alta do preço e as dificuldades de entrega do produto devem ter mudanças por questões logísticas também. Já os preços devem se normalizar um pouco, mas não muito, porque os custos seguem elevados”, alerta Santos.

O executivo acrescenta ainda que houve alta dos custos de produção registrados pela avicultura para se adequar a exigências para estruturas e aparelhamento das granjas em sistemas de biosseguridade entre 2018 e 2019. Ao todo, o Rio Grande do Sul conta com 40 granjas, que colocam no mercado 3,2 bilhões de ovos anualmente.

A alta demanda e a falta do produto em algumas gôndolas eventualmente ocorreram por uma busca acelerada e concentrada nas últimas semanas devido à pandemia, segundo Andre Braz, coordenador da área de preços ao consumidor do Ibre/ FGV. Somam-se a isso as características específicas do produto.

“É uma proteína de fácil armazenamento e com valores acessíveis em relação à carne.

Por isso ganhou espaço maior nas refeições das famílias brasileiras, que passaram a fazê-las em casa, juntos e sempre. Com as incertezas, começaram a economizar, ou por perda de renda e por temores quanto ao futuro”, analisa Braz.

A alta nos preços do produto começou ainda em fevereiro, diz o coordenador do Ibre, quando subiu 11,66%. E seguiu em março, um pouco menos, mas ainda forte, diz Braz, com 10,29% de incremento. No acumulado em 12 meses a alta é de 18,39%, de acordo com levantamento do Ibre no Rio Grande do Sul. Nacionalmente, o movimento é similar, assegura o representante do instituto.

Fonte: Jornal do Comércio