Crime organizado

O abigeato é tão antigo quanto o Rio Grande do Sul. Do furto de uma ovelha ou de um boi carneado a campo, para matar a fome do peão desempregado e de sua família, evoluiu nas últimas décadas para outra condição, muito mais preocupante: a de crime organizado. Hoje, roubam-se lotes inteiros de animais, com a utilização de caminhões boiadeiros, comunicação por rádio e armamento pesado. Trabalho profissional, de quadrilhas especializadas.
O produto do roubo abastece o abate clandestino, causando um grave problema de saúde pública. Isolados no meio do campo, sem contar com patrulhamento ostensivo e efetivo, os produtores se defendem como podem. Milícias estão surgindo pelo Interior, para garantir a segurança dos rebanhos. São ilegais, sim. Mas, o que os produtores podem fazer se o Estado, que deveria zelar pela segurança, pouco faz por eles?
O abigeato é mais um perigoso capítulo da insegurança jurídica no campo. Já expulsou muitos produtores da pecuária. E, a julgar pelas estatísticas alarmantes, vai exigir uma reação à altura do poder público.

Fonte: Zero Hora | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho

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