Criação de CPI ambiental divide posições de bancadas partidárias

Siglas não chegam a acordo sobre investigações na Assembleia Legislativa e na Câmara de Vereadores

As articulações para a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Estado e na Câmara de Vereadores de Porto Alegre para investigar denúncias de irregularidades na área ambiental expuseram nessa quarta-feira posições contraditórias de algumas bancadas partidárias. As CPIs devem investigar as concessões de licenças ambientais nas secretarias estadual do Meio Ambiente e da Capital. Quem apoia a CPI na Assembleia é contra a formação da comissão na Câmara e vice-versa.
O PT, contrário à instalação da comissão no parlamento estadual, assinou o pedido de CPI na Câmara para investigar secretaria municipal. A sigla é a maior de oposição, com cinco vereadores. Todos assinaram o requerimento de abertura da CPI, que possui onze assinaturas — uma a menos que o mínimo necessário. Agora, no entanto, o partido pode voltar atrás e até convocou reunião com o vereadores da sigla para unificar uma decisão.
Proponente da comissão para investigar as denúncias no governo municipal entre os vereadores, Pedro Ruas (PSol), afirmou ontem que a bancada do PT o estimulou na criação do requerimento. “Não acredito nessa hipótese. Os cinco vereadores do PT são pessoas honradas que me incentivaram bastante para iniciar esse trabalho de coleta de assinaturas”, disse.
O PSDB também possui posições opostas nos legislativos. Enquanto a bancada tucana tomou a dianteira pela abertura de CPI na Assembleia, protocolando termo de intenção, o vereador Mario Manfro, único representante do partido na Câmara, já afirmou que não apoia a CPI. O deputado e presidente estadual do PSDB, Adilson Troca, entende que o representante do partido tucano no Legislativo da Capital poderia incluir seu nome no requerimento de criação da CPI. “Os dois governos estão orientando a sua base para não assinar nem na Câmara nem na Assembleia, mas acho que ele (Manfro) poderia dar o aval. Seria o nome para completar os 12 necessários. Vamos conversar com ele amanhã (hoje)”, concluiu.
Apesar de ainda não ter definido posição sobre a comissão na Assembleia, a tendência da bancada do PSB é aderir à investigação. Entretanto, o líder do governo de José Fortunati na Câmara, o vereador Airto Ferronato (PSB), é contra a criação da comissão. “Fizemos uma reunião da base e a decisão foi de não assinar agora. Diferentes partidos que estão nos governos vão tomar posições distintas na Câmara e na Assembleia”, declarou.

Fonte: Correio do Povo

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