Crescimento menor no mercado de longa vida

As vendas de leite longa vida no país subiram 3,9% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2012, de acordo com estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV). O volume alcançou cerca de 3,2 bilhões de litros, conforme dados divulgados ontem durante workshop para comemorar os 19 anos da associação.

Diante dos números do semestre, a previsão da ABLV é de que as vendas este ano tenham um crescimento de mais de 4% na comparação com o ano passado, quando foram comercializados 6,1 bilhões de litros de leite longa vida no Brasil, um mercado de R$ 14 bilhões.

Segundo o presidente da ABLV, Cláudio Teixeira, o crescimento das vendas no semestre decorre do aumento da renda média das famílias, da substituição do leite pasteurizado pelo longa vida e da redução do consumo de leite informal.

Para ele, a desaceleração da economia brasileira não deverá afetar significativamente o consumo de leite longa vida no país. No entanto, o ritmo de crescimento deve ser menor – em 2012, o aumento havia alcançado 5,3% sobre o ano anterior, para 6,125 bilhões de litros. "Alimento é prioridade para qualquer família. Mesmo se a economia não está às mil maravilhas, as pessoas precisam consumir [alimentos]", afirmou Teixeira.

Ele disse que a indústria de leite longa vida conseguiu repassar, no segundo trimestre deste ano, a alta da matéria-prima, cujos preços continuam firmes, para o produto final. As cotações do leite ao produtor sobem desde outubro do ano passado, reflexo da menor produção no país e da maior disputa entre as os laticínios.

Na visão do presidente da ABLV, o pico das cotações da matéria-prima foi alcançado e a expectativa é que os preços ao consumidor fiquem estáveis até a chegada da safra de leite, em outubro, quando a oferta de matéria-prima deverá crescer.

Ele disse, ainda, que a alta do dólar em relação ao real desestimula as importações, o que favorece os produtores de leite nacionais, já que o leite em pó vindo do exterior perde competitividade. A forte alta internacional dos preços por conta da menor oferta – a cotação do leite em pó no mercado internacional saiu de US$ 2.800, no primeiro trimestre, para os atuais US$ 5 mil – reforça esse cenário.

O episódio da fraude de leite cru adulterado com ureia no Rio Grande Sul, em maio deste ano, não afetou o consumo do leite longa vida, disse Teixeira. Desde maio, o Ministério da Agricultura não detectou mais casos de fraude de leite com ureia, segundo ele. Deflagrada pelo Ministério Público Estadual (MPE) do Rio Grande do Sul e pelo Ministério da Agricultura, a operação descobriu que algumas transportadoras de leite cru do Rio Grande Sul fraudavam o produto adicionando água, ureia e formol, para aumentar o volume.

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Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

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