Cresce plantio de soja na Amazônia

Sergio Zacchi/Valor
Paulo Adario: percentual de soja nas áreas desmatadas é baixo em relação ao total

A área destinada às lavouras de soja em regiões de desmatamento na Amazônia cresceu 61% na safra 2013/14 em relação à anterior. O dado consta no levantamento da "Moratória da Soja", acordo que estabelece o compromisso de exportadores e indústria de não comprarem o grão proveniente de qualquer desflorestamento. Os dados foram divulgados ontem em Brasília, quando o pacto foi renovado.

A moratória, que inicialmente estava prevista para ser encerrada em dezembro de 2014, após sete anos de criação, agora foi prorrogado até 2016. O ato sinaliza o compromisso da cadeia produtiva da soja em manter esforços para contribuir para a redução do desmatamento na Amazônia.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que também assinou o termo de prorrogação do acordo, explicou que a ideia é que a moratória perdure até a integral implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no país. "Até lá o CAR deve substituir a moratória da soja", justificou.

Imagens de satélite usadas nesse monitoramento, realizado desde 2006, indicaram que no ciclo passado foram plantados 47,028 mil hectares nessa região. Na safra 2012/13, foram 29,295 mil hectares. O estudo leva em consideração 73 municípios de Mato Grosso, Pará e Rondônia, Estados da Amazônia Legal que juntos respondem por 98% da área plantada de soja no bioma Amazônia.

O plantio da oleaginosa em desacordo com a moratória na safra passada, encerrada em junho deste ano, concentrou-se em Mato Grosso, responsável por 34,1 mil hectares em áreas desmatadas. Em seguida aparece o Pará, que respondeu por 11,6 mil hectares, e Rondônia, com 1,2 mil hectares.

O coordenador-geral do grupo de trabalho da Moratória, Paulo Adario, minimizou esses resultados. Ele argumentou que todo o volume da cultura plantado com base em desmatamento na última safra significa apenas 1,6% da área total de soja no bioma Amazônia. E que esse comportamento na região destoou do quadro de redução no plantio da soja em áreas de desmatamento nos últimos anos.

"Houve um crescimento de desmatamento recente, mas por uma razão simples: tivemos um boom no preço internacional da soja, e isso levou os produtores a correrem risco e desmatarem áreas para plantar mesmo assim", disse Adario. "Mas o percentual de soja nas áreas desmatadas é muito pequeno em relação ao desmatamento todo."

Para Adario, chamou atenção a velocidade no desmatamento para plantio de soja nessa região na safra passada. Segundo ele, geralmente, demora de três a quatro anos para que uma área desmatada seja cultivada com a oleaginosa. No período 2013/14, contudo, os agricultores plantaram no mesmo ano de desmatamento. "Isso reflete o preço das commodities, que estava bem alto."

Carlo Lovatelli, presidente da Abiove, entidade que reúne indústrias de óleos vegetais, pondera que a soja ainda representa parcela muito pequena do desmatamento total na Amazônia.

"A grande conclusão que a gente toma disso tudo é que a soja não é pode ser considerado fator de desmatamento na Amazônia", afirmou Lovatelli.

© 2000 – 2014. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/agro/3793592/cresce-plantio-de-soja-na-amazonia#ixzz3KAqKkTMc

Fonte: Valor | Por Cristiano Zaia | De Brasília

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *