Cresce oferta de biocombustíveis no Reino Unido

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A usina da Vivergo Fuels que será inaugurada ainda este ano na Inglaterra: avanço dos biocombustíveis motiva debate sobre reflexos no mercado de alimentos

Uma das maiores usinas de etanol da Europa está prestes a iniciar sua produção no norte da Inglaterra e contribuir para um esperado aumento da capacidade de oferta de biocombustíveis do Reino Unido. A usina da Vivergo Fuels, localizada perto da cidade de Hull, deverá começar a operar ainda neste ano e vai se somar à usina do grupo Ensus em Teesside, que estava desativada mas retomou operações em setembro.

O Reino Unido continua sendo um peixe pequeno na produção de biocombustíveis em comparação a países como Estados Unidos e Brasil, mas a nova capacidade vai eliminar sua desvantagem em relação à França, Alemanha e outros países europeus. As unidades também deverão ajudar o Reino Unido a chegar mais perto de suas metas de produção de energia limpa, já que ficou definido que os biocombustíveis deverão responder por 10% dos combustíveis consumidos pelo setor de transporte até 2020.

Entretanto, embora o etanol seja menos poluente que os combustíveis fósseis, seu uso como uma alternativa ao petróleo tornou-se motivo de controvérsia por causa da utilização pesada de grãos, o que ajuda a provocar aumentos nos preços mundiais dos alimentos.

As usinas da Vivergo e da Ensus usam trigo com baixos teores de proteínas, empregado na alimentação de animais, em vez de grãos de qualidade, que acabam nos pães consumidos pelos britânicos. Mas críticos afirmam que isso ainda afeta os preços dos alimentos e a oferta, ao elevar os custos de produção de carne bovina e suína e usar terras que poderiam ser empregadas na produção de grãos comestíveis.

Ruth Kelly, consultor de políticas econômicas da Oxfam no Reino Unido, diz que há um apoio crescente do governo e da União Europeia a um recuo na política dos "combustíveis em detrimento dos alimentos", em razão de seu efeito sobre os preços dos alimentos. "Portanto, é desapontador ver que o setor privado está se movimentando na outra direção e optando por erguer refinarias".

No mês passado, a França pediu uma pausa no desenvolvimento de biocombustíveis que competem com os alimentos, enquanto a União Europeia tenta impor um teto de 5% ao uso dos biocombustíveis de primeira geração nos transportes.

No entanto, Jack Watts, analista sênior do Agriculture and Horticulture Development Board, diz que o mercado de trigo é globalizado e mais afetado por acontecimentos como a decisão da Rússia de conter as exportações e a seca nos Estados Unidos do que pelo aumento da produção de biocombustíveis pelo Reino Unido. "O Reino Unido representa 1,5% da produção mundial de trigo. Somos um participante muito pequeno".

Os investidores nas usinas estão certos de que não contribuirão para a alta dos preços, nem influenciarão na oferta de alimentos. A Vivergo, apoiada pela BP, a multinacional de gás e petróleo, e pela Associated British Foods (ABF), que controla o grupo varejista Primark e também tem operações consideráveis no segmento de gêneros alimentícios, informa que vai usar o trigo que, de outra maneira, seria exportado.

Mark Carr, presidente-executivo da divisão AB Sugars da ABF, acrescenta que quase metade do trigo que a usina usa será "substituída" por rações animais ricas em proteínas, que são um subproduto das usinas que produzem bioetanol a partir do trigo.

Assim que a usina da Vivergo estiver em operação, o Reino Unido poderá converter 2,2 milhões de toneladas de trigo – cerca de 15% da produção local – em 820 milhões de litros de etanol por ano. Isso continuará sendo uma fração dos 38 bilhões de litros de capacidade instalada do Brasil e dos 51,7 bilhões de litros dos EUA. Mas colocará o Reino Unido mais perto da Alemanha, que produz 1,2 bilhão de litros, e da França com 2,1 bilhões. E mais usinas britânicas estão em fase de planejamento.

Todavia, analistas afirmam que o aumento da capacidade poderá continuar não sendo suficiente para o Reino Unido atender seus objetivos para os biocombustíveis. Harry Boyle, analista de bioenergia da Bloomberg New Energy Finance, uma consultoria especializada em pesquisas energéticas, diz que "pouquíssimas" usinas foram propostas desde que as metas para os biocombustíveis foram estabelecidas, "principalmente porque os investidores decidiram não seguir adiante".

As duas novas unidades também vão ajudar suas economias locais: a Vivergo avalia que empregará 80 pessoas e dará suporte indireto a outras mil em funções de armazenagem, transporte e manutenção. (Tradução de Mario Zamarian)

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Fonte: Valor | Por Louise Lucas e Chris Tighe | Financial Times

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