Cresce cobrança para que Alemanha ceda a mais estímulos no G-20

Os Estados Unidos e os emergentes aumentam as pressões para que a Alemanha diminua sua resistência a estímulos econômicos, diante do estrago que a crise do euro está causando, na cúpula de líderes do G-20 nos dias 18 e 19 em Los Cabos, no México.

A constatação é de que o mundo inteiro está contaminado pelo vírus da zona do euro, confirmado por indicadores em queda nos Estados Unidos, Reino Unido, Brasil e na China. A intensificação dos riscos na Europa – eventual saída da Grécia do bloco monetário, fragilidade dos bancos espanhóis e contágio nos mercados financeiros – deteriora a confiança de consumidores e empresas. Também intensificou-se a tendência de a expansão econômica em todas as regiões ser bem menor do que o potencial tanto em 2012 como em 2013.

"Os EUA estão cobrando mais respostas de estímulo econômico, e isso também ganhou relevância para a China, que está mais preocupada com a deterioração induzida pela crise europeia”, diz um importante negociador.

Os líderes dos Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul- vão se reunir em Los Cabos no dia 18 para harmonizar a tônica da cobrança no G-20 por mudança de duro ajuste fiscal por políticas pró-cíclicas e que se quebre o circulo vicioso de desalavancagem, crescente desemprego e fragilidade do setor financeiro nas economias desenvolvidas.

Esta semana, as atenções estarão voltadas para a Espanha, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra, para ver se os novos sinais de profundo declínio econômico vão galvanizar as autoridades europeias em direção de mais estímulos.

A revista "Der Spiegel" publica que a Alemanha aceitará que o fundo europeu de estabilidade financeira possa dar ajuda direta aos bancos para reforçar seu capital. Atualmente, o fundo só pode emprestar para os governos. Berlim estaria pressionando a Espanha a recorrer ao fundo. De acordo com a revista, a Alemanha calcula que as necessidades de recapitalização da banca espanhola vão de € 50 bilhões a € 90 bilhões de euros.

Na quarta, o BCE pode anunciar novas medidas, após o Índice de Gerentes de Compras (PMI, em inglês) sinalizar a maior queda em três anos e o desemprego bater o recorde de 11% na zona do euro.

Analistas se dividem entre os que acreditam que o banco irá cortar a taxa básica de juro em 0,25%, caindo para 0,75%, e os que acreditam que o órgão irá esperar os eventos deste mês (eleições na Grécia, para o Parlamento na França e o encontro de ministros europeus de finanças) antes de flexibilizar a política monetária.

No entanto, é mais provável que o BCE anuncie funding ilimitado para os bancos, estendendo um programa que expira este mês. O compromisso é visto como importante para os bancos, pelo menos inicialmente, no caso de mais fuga de depósitos.

No Reino unido, o Banco da Inglaterra pode se decidir esta semana por priorizar o crescimento contra preocupações com a inflação, e expandir o seu programa atual de liquidez de 325 bilhoes de libras esterlinas.

No mercado, crescem as apostas de que a "bazuka"’ de fortes medidas necessárias para manter a Espanha e a Itália na zona do euro – o que significa criar eurobônus, maior fundo de socorro financeiro, garantia europeia de depósitos – poderá dar sua melhor chance para a Grécia continuar na união monetária. Outros notam que os problemas da Grécia são ainda mais fortes e imediatos do que os da Espanha, e duvidam se o resto da zona do euro quer realmente que Atenas continue no bloco, mesmo como subproduto da ação para ajudar os espanhóis.

França, Itália, Espanha e Reino Unido cobram da Alemanha que apoie medidas fortes para atenuar a crise, passando por mais enfoque no crescimento. A questão é se a resposta da chanceler Angela Merkel virá tarde para evitar mais estragos na região.

Nesse cenário, nos EUA cresce a possibilidade de o Federal Reserve anunciar este mês uma nova versão do programa de recompra de ativos (QE3) para injetar dinheiro na economia e estimular a atividade. A forte queda na criação de empregos dá justificação sólida para nova ação do Fed, na opinião de certos analistas.

Na China, a forma da política de novo estímulo parece clara: aprovar mais projetos de investimento de infra-estrutura e encorajar os bancos a financiá-los, além de nova rodada de subsídios para bens de consumo e talvez para carros.

No Japão, a resposta é dificultada pelo gigantesco déficit publico e juro zero. Mas o Banco Central do país pode agir. A desvalorização da moeda pode ser resposta mais efetiva na Austrália, Malásia, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Taiwan e Tailândia. Somente a Coreia do Sul pode dar resposta fiscal significativa a crise atual, que causa mais impacto no país do que as anteriores.

Fonte: Valor | Por Assis Moreira | De Genebra

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *