Cresce a demanda por café conilon especial

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A capixaba Coopeavi tem aumentado a comercialização de café conilon especial

A demanda por café conilon especial é crescente no mercado doméstico, mas ainda não há no país oferta suficiente para atendê-la, conforme representantes do setor. A maior procura pelo produto vem das indústrias de torrado e moído, que utilizam o produto em blends com o arábica, considerado mais nobre – e que é mais caro.

Há também a expectativa de que o avanço da produção de café em cápsulas amplie ainda mais a procura pelo conilon especial. Neste caso, porque as empresas investem na oferta de diversas opções, com sabores de maior ou menor intensidade, diz João Elvidio Galimberti, gerente de mercado de café da Cooperativa Agropecuária Centro-Serrana (Coopeavi), com sede no Espírito Santo – maior Estado produtor de conilon do país.

O conilon de melhor qualidade pode garantir sobretudo corpo e acidez à bebida e já é muito usado em espressos. Mas, de modo geral, a indústria diz que não ampliou o uso de café conilon (de todas as qualidades) neste semestre por conta da alta dos preços do arábica neste ano, impulsionado pelo clima seco e calor.

A Coopeavi começou a receber conilon especial em 2011, quando comercializou 5,8 mil sacas de 60 quilos do produto. O volume passou a 10,3 mil sacas em 2012, e chegou a 17,6 mil no ano passado. Para 2014, a expectativa é vender 20 mil sacas, conforme Galimberti.

Assim como o arábica, o conilon, para ser classificado como especial, precisa seguir alguns cuidados específicos na produção e no processamento. Pode ser natural (seco sem a retirada de polpa) ou passar por processos de descascamento ou despolpamento, por meio dos quais são retiradas casca e polpa antes da secagem dos grãos.

Para ser classificado como fino, o conilon precisa ter pontuação de 80 a 82 pontos, explica Galimberti, conforme parâmetros estabelecidos pelo Instituto de Qualidade do Café, braço da Associação Americana de Cafés Especiais (SCAA, em inglês).

O conilon de melhor qualidade da Coopeavi é vendido para tradings, indústrias que atuam no país e também para outros países, mas a maior parte fica mesmo no mercado interno. Nos últimos tempos, porém, o aumento das exportações brasileiras de conilon especial se deve mais à substituição de mercados como Índia, Indonésia ou Vietnã, afirma o representante da Coopeavi.

O prêmio pago pelo conilon especial varia de 5% a 10% sobre o valor do produto 7/8, considerado padrão. Nesta semana, o 7/8 é cotado de R$ 270 a R$ 275, enquanto um conilon cereja descascado vale R$ 300, o mesmo valor de um café arábica rio, de menor qualidade.

Galimberti estima que a oferta de café conilon especial no país, praticamente toda concentrada no Espírito Santo, é da ordem de 30 mil a 35 mil sacas por safra.

Já Arthur Fiorotti, gerente de marketing da Conilon Brasil, empresa que faz análises do produto e o direciona para o mercado, estima que exista uma oferta de 10 mil a 15 mil sacas de conilon de altíssima qualidade – cerca de 90% desses produtos são exportados – e de 100 mil a 150 mil sacas de conilon de boa qualidade por temporada.

Para Fiorotti, as grandes empresas se interessam pelo produto, mas querem um fornecimento constante de um volume significativo que ainda não é produzido.

A Cambraia Cafés, que lançou em 2012 um blend de café com 30% de conilon especial, afirma que as vendas do produto têm crescido. O produto é comercializado em Minas Gerais e Santa Catarina e a meta é expandir sua presença em outros Estados, como São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, além do Distrito Federal, segundo Henrique Dias Cambraia, dono da empresa. Atualmente, esse blend representa 40% das vendas totais de cafés da companhia.

Como parte do esforço em promover os cafés de melhor qualidade do Espírito Santo, o Sebrae estadual lançou em junho deste ano o Projeto de Cafés Especiais do Estado, em parceria com várias entidades. A meta é, até o fim de 2018, ter 2.500 propriedades (das cerca de 56 mil com atividade cafeeira no Estado) com certificação de produção de grãos especiais ou sustentáveis e uma comercialização de 500 mil sacas desses produtos (arábica e conilon).

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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