Crédito restrito é um dos principais problemas

Um dos principais problemas que aflige o setor e movimenta lideranças no Estado é a escassez de empréstimos públicos à disposição dos arrozeiros. No início deste ano, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou estudo sobre a descapitalização dos rizicultores. A pesquisa revela um recuo violento do crédito rural para o setor que, em 2010, era acessado por 50% dos produtores e, em 2019, só esteve ao alcance de 20%.

Neste mesmo período, o percentual de agricultores que mantinha as lavouras com recursos próprios despencou de 35% para 10%. Sem financiamento público ou dinheiro em casa para garantir o custeio da produção, grande parte dos agricultores busca recursos junto à indústria, que conforme o relatório da Farsul, hoje atende a 50% dos produtores gaúchos de arroz.

A prática gera uma dependência indesejada pelo setor primário. "É muito ruim financiar a produção com o cliente; por outro lado, boa parte só permanece na atividade porque a indústria vem segurando a lavoura", argumenta o produtor Fernando Rechsteiner.Já o presidente da Federarroz. Alexandre Velho, acrescenta que a prática reduz o poder de barganha dos plantadores, que pagam os financiamentos pela cotação do início da safra, quando o produto ainda não está valorizado. "O arroz não tem preço pré-fixado, ficamos presos ao valor praticado pela indústria", diz.

Desde julho de 2019, representantes do setor discutem, sem sucesso, com o governo federal, a criação de um pacote de ajuda. No início de agosto, durante visita a Bagé, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recebeu de uma comitiva de entidades representativas dos arrozeiros um documento reiterando a necessidade de se buscar soluções para a falta de crédito público aos produtores, causada principalmente pelo endividamento.

Estima-se que a dívida do setor chegue a R$ 3,5 bilhões. Entre as medidas pleiteadas, estão a renegociação dos valores vencidos há mais de um ano em novos contratos de 15 anos, com dois de carência e juros de 5% ao ano.

Fonte: Jornal do Comércio

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