Cotação da saca de soja chega a R$127 no Porto de Rio Grande

Valor é recorde histórico nominal no terminal e se deve a pouca oferta de grãos, à alta demanda externa e ao câmbio favorável

05/08/2020 | 13:25

Por Correio do Povo

O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de soja em grão do Brasil, superado apenas pelos estados de Mato Grosso e Paraná. O dado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de soja em grão do Brasil, superado apenas pelos estados de Mato Grosso e Paraná. O dado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) | Foto: GUILHERME TESTA

A cotação da saca de soja chegou a R$ 127,00 ontem no Porto de Rio Grande. O valor é recorde histórico nominal no terminal marítimo gaúcho, onde a média de preços dos últimos quatro anos foi de R$ 75,00. A alta é resultante da associação de fatores como a pouca oferta de grãos, ocasionada pela quebra da safra gaúcha 2019/2020, associada à alta demanda externa e ao câmbio favorável. O preço chegou a R$ 120,00 em Ijuí, R$ 121,00 em Passo Fundo e R$ 124,00 em Canoas.

Como a demanda interna também está alta e a disponibilidade é pequena, os prêmios pagos no Interior chegaram a superar os oferecidos nos portos durante a semana passada. Ontem, no entanto, estavam em 1,75 dólar por bushel em Rio Grande, 1,50 em Ijuí e 1,63 em Passo Fundo e Canoas.

O sócio-diretor da New Agro Corretora, Gean Kunh, explica que resta menos de 7% da safra gaúcha para comercialização. A baixa oferta causou uma disputa pela oleaginosa e repercutiu no preço dos prêmios. “Cooperativas e cerealistas que têm soja disponível escolhem para quem vender, seja para o mercado interno ou para o externo, o que se reflete no prêmio posto em cima da cotação do grão”, explica.

O analista de mercado Faria Toigo reitera que os prêmios se refletem em ganhos para quem ainda tem para vender. “A tendência é altista, já que não tem produto e o dólar deve seguir subindo”, avalia.

O presidente da AprosojaRS, Décio Teixeira, acrescenta que a tensão entre Estados Unidos e China afeta a bolsa de Chicago e isso também influencia as cotações. “Essa situação gera manobras e causa interferências nessa bolsa que dita os preços”, sintetiza.

Fone: Correio do Povo

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