Cotações dos grãos se acomodam em baixos patamares em Chicago

Colheita de soja nos EUA: USDA reduziu estimativa para a produção no país
Ladeira abaixo no mercado internacional desde os elevados patamares alcançadas em meados de 2012, os preços dos principais grãos comercializados no mundo (milho, trigo e soja) voltaram a emitir sinais de que encontraram novas barreiras de resistência.

Como em outros momentos de acomodação observados nos últimos quatro anos, na bolsa de Chicago as cotações têm variado menos e se mantido em torno de um mesmo eixo à espera de mudanças nos fundamentos. E, com colheitas fartas no Hemisfério Norte e boas perspectivas para o Hemisfério Sul nesta temporada 2015/16, que têm colaborado para manter os mercados sob pressão, crescem as especulações sobre o comportamento da demanda.

Como se tornou comum na última década, as atenções estão concentradas na China. O forte crescimento econômico do país asiático foi fundamental para alavancar o consumo global de grãos e levar os preços de milho, trigo e soja às máximas históricas observadas em 2008 (trigo) e 2012 (milho e soja), e sua desaceleração agora é encarada com particular preocupação.

Para muitos analistas, se o avanço da economia chinesa se mantiver em torno do 7% ao ano, o espaço para que as cotações registrem novas quedas expressivas será limitado, haja vista o ainda aquecido consumo alimentos no país este ano. Mas, caso a freada seja maior, patamares de preços que não são vistos desde o início deste milênio poderão ser revisitados.

Em outubro, as três commodities permaneceram firmes, conforme cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos de segundo posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) negociados em Chicago.

Segundo balanço concluído ontem, o trigo fecha o mês com alta de 3,84% em relação à média de setembro, mas ainda em queda de 2,06% na comparação com outubro de 2014. E o viés é de baixa, em decorrência das previsões de clima favorável às lavouras dos Estados Unidos, onde há plantio em curso.

Esse fator levou os gestores de recursos ("managed money") a ampliarem o saldo líquido de venda em Chicago na semana encerrada em 20 de outubro, conforme levantamento da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC).

No milho o pessimismo também aumentou e o saldo líquido comprado diminuiu, também sob influência do clima favorável nos EUA, só que neste caso para a colheita. Mesmo assim, a cotação média do cereal chega ao fim de outubro com variações positivas de 1,94% em relação a setembro e de 8,5% sobre outubro de 2014.

Impulsionada pela redução da estimativa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a produção no país neste ciclo 2015/16 e pela boa demanda da China, a soja encerra o mês com preço médio 1,82% superior ao de setembro, mas ainda 7,96% menor que o de outubro do ano passado.

Essa conjunção levou os gestores de recursos a ampliarem suas apostas na alta das cotações na semana terminada em 20 de outubro, e a posição líquida de compra na bolsa de Chicago aumentou 35,7% na comparação com a semana anterior.

Na bolsa de Nova York, onde o grande destaque deste mês foi o açúcar (ver matéria acima), apenas o cacau recuou em relação a setembro (3,12%), em função da menor preocupação sobre os efeitos negativos do El Niño sobre a oferta no oeste da África e de incertezas com o comportamento da demanda.

Sustentado também por problemas climáticos, só que no Brasil, o café fecha o mês com variação positiva de 7,02% em relação a setembro. Na mesma comparação, o suco de laranja sobe 3,26%, ancorado na retração da oferta americana, e o algodão apresenta valorização de 1%, já que chuvas atingem lavouras dos EUA em um período crítico da safra.

Por Mariana Caetano, Camila Souza Ramos, Bettina Barros e Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *