Copersucar se prepara para outro ano adverso

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Souza (em primeiro plano), ao lado de Pogetti: apesar do cenário difícil, Copersucar prevê crescimento neste ciclo 2012/13

Depois de uma safra marcada por quebra de produtividade dos canaviais e margens baixas para o etanol, a Copersucar, maior comercializadora de açúcar e álcool do país, antevê um cenário pouco diferente no ciclo recém-iniciado: a tendência é que a safra 2012/13, que começou em abril, repita a baixa "potência agrícola" nas usinas associadas e as margens espremidas para o biocombustível. Espera-se, ainda, um fator negativo adicional: o superávit mundial de açúcar – que, apesar de já anunciado, começa a sangrar os preços internacionais da commodity, que despencaram aos níveis do custo da indústria no Brasil.

No ciclo 2011/12 encerrado em 31 de março, a Copersucar faturou R$ 11,2 bilhões, 35% mais que na temporada anterior. Mas teve que se resignar ante um lucro líquido de R$ 103 milhões, após ter obtido um resultado três vezes melhor no ano anterior (R$ 355 milhões).

O CEO da Copersucar, Paulo Roberto de Souza, diz que a menor volatilidade do etanol reduziu os ganhos de margem com o produto. Já a remuneração para o açúcar foi até maior do que no ano anterior, mas os volumes comercializados foram inferiores ao previsto inicialmente pela empresa. "As associadas entregaram 600 mil toneladas de açúcar a menos que o previsto", disse Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da companhia, que tem 48 unidades industriais associadas. Mesmo assim, a venda da commodity atingiu o recorde de 7,6 milhões de toneladas, volume 24,4% maior que na safra 2010/11.

Souza destaca que o resultado líquido menor também foi afetado contabilmente pela mudança na metodologia das normas internacionais de contabilidade (IFRS). "Essa alteração teve um impacto de cerca de R$ 200 milhões no nosso lucro bruto [em 2011/12]". Esse resultado foi de R$ 488 milhões, ante R$ 640 milhões do ciclo anterior. A margem bruta recuou para 4,3%, contra os 7,8% de 2010/11.

O resultado, obviamente, deixou seus reflexos na distribuição dos dividendos da safra 2011/12, que caíram para um valor equivalente a 5,1% acima do preço Esalq. Foi, portanto, menor do que os 7% pagos na temporada 2010/11. "O contraponto é que os preços médios pagos às usinas foram superiores", diz Souza.

Depois da turbulência de abril de 2011, quando a escassez de açúcar e etanol no país fez os preços dispararem a níveis recordes, a Copersucar decidiu carregar mais estoques. Em 31 de março deste ano, a empresa tinha R$ 1 bilhão em produtos, ante R$ 350 milhões no fim de março de 2011. "Basicamente, nossos estoques eram formados de anidro e açúcar branco, que no ano anterior tinham faltado no mercado. Tínhamos também um pouco de açúcar bruto já vendido e precificado, com embarque programado para abril", disse Souza.

Dessa forma, no fim de março deste ano a Copersucar registrava uma dívida líquida de R$ 1,8 bilhão, ante os R$ 970 milhões de um ano atrás. Mas, de acordo com Souza, se forem descontados os valores equivalentes a estoques, o endividamento líquido cai para R$ 800 milhões, ante R$ 620 milhões registrados há um ano. "Esse aumento real de 30% decorreu de investimentos, sobretudo em logística, feitos no último ano", esclarece Souza. Ele acrescenta, ainda, que desde o início de abril a maior parte do estoque já foi liquidada. Em torno de 65% da dívida, segundo o executivo, está no longo prazo, com prazo médio de vencimento de três anos. "O restante é capital de giro", diz o CEO.

O resultado operacional, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), recuou para R$ 250 milhões na safra 2011/12, ante os R$ 400 milhões registrados no ciclo 2010/11. A margem Ebitda retrocedeu de 4,9% para 2,2% na mesma comparação.

Apesar do cenário adverso, a Copersucar prevê continuar crescendo na temporada 2012/13. A empresa tem ambições de chegar ao fim desta safra com faturamento recorde de R$ 15 bilhões, o que significará crescimento de 36% em relação a 2011/12.

O aumento virá do maior volume comercializado – sobretudo de terceiros, ou seja, dos não sócios. O projetado é vender açúcar e etanol equivalentes à moagem de 116 milhões de toneladas, 6,5% superior à safra 2011/12. Desse total, 90 milhões de toneladas de cana virão de usinas sócias e 26 milhões de não sócias. "Antes da estiagem do primeiro trimestre, a expectativa era de que as associadas, que têm capacidade para moer 150 milhões de toneladas, atingissem 100 milhões. Mas, a previsão foi reajustada para baixo", interveio Pogetti.

Em termos de preços para açúcar, Souza disse que a estratégia será lançar mão da capacidade de armazenagem da Copersucar para ganhar com os spreads pagos pelo açúcar para entregas mais à frente. "Os preços já estão baixos para incentivar mais aumento futuro de produção na Índia. Além disso, se a mistura na gasolina retornar a 25%, teremos 1,7 milhão de toneladas de açúcar a menos no Brasil", torce Souza.

Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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