Copersucar lucrou 16% mais em 2013/14

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Paulo Roberto de Souza, presidente da Copersucar: "Tivemos que gerenciar emoções e, ainda, entregar resultados"

Mesmo depois de arcar com os custos provocados pelo incêndio que comprometeu temporariamente seu terminal portuário no porto de Santos, no litoral paulista, a Copersucar, maior trading de açúcar e etanol do mundo, encerrou seu exercício 2013/14, em 31 de março passado, com resultado operacional e lucro líquido maiores que em 2012/13.

Foram decisivos para esses avanços as oportunidades geradas no primeiro trimestre deste ano pela intensa volatilidade das cotações internacionais do açúcar e pelas nevascas que atingiram regiões dos Estados Unidos e motivaram uma forte valorização dos preços do etanol naquele país, onde a empresa brasileira controla a maior comercializadora do biocombustível.

Com esses impulsos, a Copersucar fechou o último exercício (equivalente à safra canavieira 2013/14) com lucro líquido (atribuído aos acionistas controladores) de R$ 79 milhões, 16,17% maior que no ciclo anterior (R$ 68 milhões). Se for considerado o prêmio de 2% sobre as cotações calculadas pela Esalq para açúcar e etanol pago antecipadamente às usinas sócias, o resultado líquido "ajustado" foi positivo em R$ 208 milhões, 3,48% superior ao de 2012/13 (R$ 201 milhões).

De acordo com Paulo Roberto de Souza, presidente da Copersucar, o incremento decorreu sobretudo das decisões tomadas pela empresa diante da volatilidade do açúcar entre janeiro e março deste ano, o último trimestre do exercício 2013/14.

"Quando o açúcar desceu a 15,30 centavos [de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York], nossa leitura de mercado foi que haveria uma inversão. Assumimos uma posição comprada [que aposta na alta] e acertamos, pois os preços bateram 18 centavos", lembra o executivo.

A Copersucar movimentou um total de 8,6 milhões de toneladas de açúcar em 2013/14, um aumento de 10,25% na comparação com o ciclo anterior. Mas o volume ficou 4,6% abaixo da meta inicial de 9 milhões de toneladas, em consequência das dificuldades logísticas decorrentes do incêndio ocorrido em outubro do ano passado em seu terminal de exportação em Santos.

A movimentação de etanol da empresa a partir do Brasil cresceu 8,8% na comparação, para 4,9 bilhões de litros, enquanto nos Estados Unidos, por meio da controlada Ecoenergy, aumentou 30,7% e atingiu a 6,9 bilhões de litros. Ao todo, portanto, foram 11,7 bilhões em 2013/14, ou 11,3% da produção mundial.

Com isso, a receita líquida da Copersucar cresceu 57% no exercício encerrado em março, para R$ 23,2 bilhões. "Foi a primeira safra completa com os resultados da Ecoenergy, que foram duas vezes maiores do que esperávamos quando compramos o controle da companhia (65%), no fim de 2012", disse Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersucar.

A diferença básica entre os ambientes de negócios para o etanol no Brasil e nos EUA, conforme Pogetti, é a maior liquidez no mercado futuro americano, tanto na bolsa (de Chicago) quanto no balcão (contratos futuros negociados fora da bolsa). "Isso nos possibilita assumir posição e aproveitar oportunidades oferecidas pela oscilação de preços".

Mas, na temporada 2013/14, um fator adicional garantiu a melhora dos resultados da Ecoenergy. Segundo Pogetti, a nevasca que prejudicou a logística americana fez as cotações do etanol para entrega na costa leste do país dobrarem do patamar de US$ 2 para US$ 4 o galão (3,785 litros) no primeiro trimestre. "Tínhamos avaliado bem o mercado e tomamos posição. A nossa logística nos permitiu aproveitar a oportunidade, pois tínhamos etanol estocado na costa".

Todos esses fatores contribuíram para uma expressiva alta de 134%, para R$ 488 milhões, do indicador que mede o desempenho operacional da empresa, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). Somados os 2% relativos ao prêmio de exclusividade pago às usinas sócias, o aumento do Ebitda "ajustado" chegou a quase 67%, para 488 milhões.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo