Copersucar descarta nova aposta em etanol

"O foco segue sendo o mercado interno. As exportações são oportunísticas e não estruturais", avaliou Pogetti
Diante de um cenário anêmico para as exportações de etanol, a Copersucar, maior trading do biocombustível do mundo, segue consolidando sua fatia nos mercados domésticos dos dois maiores produtores e consumidores globais: Estados Unidos e Brasil. No front americano, vai ampliar neste ano sua participação na trading Eco-Energy, que controla desde 2012. No Brasil, onde a produção de etanol se estagnou, a Copersucar busca ao menos manter sua fatia, apesar da crise que reduziu sua base de usinas sócias.

A companhia, que faturou R$ 21 bilhões em 2014/15, não pretende, ao menos por ora, elevar as apostas no Brasil. O momento é de parcimônia, na visão da companhia, que concluiu em 2015 um plano de investimento quinquenal de R$ 2 bilhões em logística. Mesmo nos EUA, o foco é consolidar investimentos já feitos, disse ao Valor o presidente do conselho de administração da Copersucar, Luís Roberto Pogetti. Lá, a empresa apenas concluirá neste ano a construção de outros três terminais (de um total de cinco) de carregamento e descarregamento de etanol. "Até por conta da conjuntura no Brasil, não há espaço para tomar mais risco nos EUA. Qualquer investimento na controlada americana significaria alocar mais capital próprio ou elevar dívida", afirmou.

Além disso, segundo o executivo, está confirmada a compra do capital restante da Eco-Energy, de forma que até 2017 a trading americana será controlada integral da Copersucar. Em 2012, a trading brasileira – que junto com a Cargill, na joint venture Alvean, também é a maior trading global de açúcar – entrou no capital da americana com a compra de uma fatia de 65%, por US$ 90 milhões. Em 2015, adquiriu mais 11,66%, por US$ 18 milhões. Em abril deste ano e em abril de 2017 vai exercer as outras opções de compra, completando assim os 100%.

Com a Eco-Energy, a Copersucar se tornou a maior trading de etanol do mundo. Nesta safra 2015/16, que vai até 31 de março, a brasileira vai movimentar, com as operações nos dois países, 12,8 bilhões de litros do biocombustível, 6% de aumento. O crescimento virá do mercado brasileiro, onde a Copersucar pretende negociar 5 bilhões de litros, ante os 4,3 bilhões de 2014/15. Nos Estados Unidos, os volumes ficarão estáveis em 7,8 bilhões de litros.

O diferencial da operação americana neste exercício tende a vir do câmbio, disse Pogetti. O faturamento deve se manter em dólar no patamar de US$ 4,2 bilhões, mas o resultado líquido, convertido em reais, tende a ser mais robusto.

Já as margens líquidas (em dólar) da Eco-Energy devem voltar em 2015 aos patamares "padrão" de uma trading (de 2% a 3%). Entre 2012 e 2013, o mercado americano apresentou volatilidade no preço do etanol bem acima da média, o que fez as margens líquidas dobrarem.

Mas neste ciclo, os resultados líquidos melhores tendem a vir do etanol no Brasil, avaliou o executivo. Ainda que a Copersucar tenha carregado menos estoques do produto para vender na entressafra (entre janeiro e março) do que normalmente faz, a volatilidade está maior. É nessas oscilações que está a oportunidade de ganho para as tradings. Ao longo desta safra 2015/16, os preços do etanol saíram do patamar de R$ 1,23 para R$ 2 o litro. "Só não estocamos mais porque o juro mais alto aumentou o risco", explicou.

O volume maior de etanol que será comercializado no Brasil pela Copersucar neste ciclo decorre do aumento da produção de suas usinas sócias, agora em menor número que há alguns anos. Desde 2013, a companhia vem perdendo sócios (que vendem a produção de etanol e açúcar com exclusividade à empresa) seja por decisão estratégica de cada grupo – como foi o caso dos paulistas Clealco e Usina Batatais – ou por dificuldades financeiras, como ocorreu com a Aralco, que está em recuperação judicial, e o Grupo Virgolino de Oliveira, com graves dificuldades financeiras.

De acordo com Pogetti, houve uma compensação parcial, pois as usinas que se mantiveram sócias elevaram sua moagem. A empresa tem no seu quadro societário 21 grupos produtores que, juntos, vão processar nesta safra 92 milhões de toneladas de cana. Em 2012, eram 25 grupos, com moagem de 94,7 milhões.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *