Copersucar começa a redirecionar navios

Operadores logísticos dos portos de Santos (SP) e de Paranaguá (PR) se mobilizam para escoar os volumes de açúcar que seriam embarcados no terminal da Copersucar, afetado há uma semana por um incêndio de grandes proporções. Um navio programado para atracar no dia 26 de outubro no terminal da companhia brasileira foi reagendado para o terminal da Rumo Logística, controlada do grupo Cosan.

Até agora, no entanto, relatórios de empresas de agenciamento marítimo indicam que o carregamento de três navios no terminal da Copersucar foi cancelado desde o incidente da última sexta-feira. Juntos, eles embarcariam 122 mil toneladas de açúcar (entre bruto e cristal).

O navio que foi direcionado para o terminal da Rumo foi o Flag Mersindi, que deve agora atracar no dia 30 de outubro, segundo informações da SA Commodities e da Unimar Agenciamentos Marítimos. A embarcação deve carregar 50,5 mil toneladas de açúcar bruto. Não foram informados o destino e comprador da carga.

Fontes do mercado estimam que a Rumo teria capacidade para absorver toda a demanda da Copersucar durante uma safra inteira, estimada em mais de 7 milhões de toneladas. Porém, neste momento, em que surgiu essa demanda inesperada, a controlada da Cosan está tentando se planejar para conciliar seus embarques com as da Copersucar.

Segundo a SA Commodities, também foi direcionada no início da semana para o terminal da Rumo a demanda da embarcação Navios Primavera, que, inicialmente, carregaria parte do açúcar na Rumo e a outra parte, no terminal da Copersucar. Agora, a embarcação deve carregar todo o volume previsto, em torno de 50 mil toneladas, no terminal da controlada da Cosan. A carga tem como comprador a francesa Louis Dreyfus Commodities e como destino, a Malásia.

Há ainda outros três navios que já estão no porto de Santos à espera de orientações sobre se serão direcionados ou não para terminais vizinhos. Segundo informações da agência Williams, os três navios estão programados para carregar 165,3 mil toneladas de açúcar bruto. Um deles deveria ter atracado ontem, dia 24, e outro, no dia 20 de novembro. Não há informações ainda sobre a data de atracação do terceiro navio, apenas de sua chegada, no dia 26 deste mês.

A Copersucar tem entre os contratos a cumprir um de cerca de 1,2 milhão de toneladas com a Louis Dreyfus Commodities. Tem também um volume a entregar para a Bunge. O CEO da companhia americana, Soren Schroder, disse ontem à agência Reuters que o incêndio que destruiu o terminal da Copersucar não vai interromper as exportações de açúcar ou grãos da empresa no Brasil pelo menos nos próximos seis meses. O executivo disse que a Bunge está transferindo seus embarques de açúcar do porto paulista para o de Paranaguá (PR).

Agências internacionais noticiaram que a Copersucar fez um comunicado de "força maior" às partes que integram seus contratos de compra e venda de açúcar. Em caso de eventos catastróficos imprevistos, a cláusula de "força maior", se aceita pela outra parte, livra a empresa de obrigações contratuais devido ao impedimento de honrar contrato. Procurada, a Copersucar informou que ainda não fará comunicados pontuais até ter uma definição mais ampla das soluções planejadas.

Ontem, os futuros de açúcar na bolsa de Nova York caíram 31 pontos a 18,97 centavos de dólar por libra-peso (vencimento março) em um movimento de realização de lucros, após a commodity subir mais de 5% na última sexta-feira, dia do incêndio. Boa parte dos agentes do mercado disse acreditar que a Copersucar conseguirá redirecionar os trabalhos para terminais próximos.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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