Cooxupé realça queda de estoques de café no país

Costa, da Cooxupé: Brasil é a "caixa d’água" que abastece o mundo com café
Os estoques baixos de café no Brasil estão sustentando a alta dos preços do arábica no mercado internacional. A avaliação é de Carlos Alberto Paulino da Costa, presidente da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), a maior exportadora de café do Brasil.

Costa disse que a seca que afetou a produção brasileira de café nos últimos anos reduziu os estoques brasileiros do grão. "O Brasil é a ‘caixa d’água’ que abastece o mundo com café o ano inteiro, e essa ‘caixa d’agua’ está vazia", afirmou, sem mencionar estimativas para o estoque, durante entrevista na Feira de Máquinas, Implementos e Insumos Agrícolas (Femagri) em Guaxupé, promovida pela cooperativa.

Para indicar que existe uma redução nos estoques, Costa lembrou que a soma entre exportação e consumo interno de café no Brasil em 2015 totalizou entre 55 milhões e 56 milhões de sacas. Algumas das estimativas que circulam no mercado hoje para a safra 2016/17 no Brasil indicam que a produção deve ficar entre 50 milhões e 53 milhões de sacas, ou seja, abaixo do consumido em 2015.

"Em nenhum desses últimos anos, houve essa produção [de 56 milhões de sacas]. Isso significa que os estoques estão menores", disse o presidente da Cooxupé.

Segundo ele, o país vai chegar ao período de colheita do café arábica, a partir de maio, "com estoque baixíssimo". E o cenário pode se repetir na safra 2017/18, acrescentou.

Em 31 de março de 2015, os estoques brasileiros de café estavam em 14,4 milhões de sacas, segundo a Conab. A autarquia fará novo levantamento em 31 de março deste ano.

Embora os números dos estoques brasileiros ainda não sejam conhecidos, Costa dá como exemplo a própria Cooxupé. "O estoque da cooperativa é baixo. Ando por aí e vejo que os armazéns estão vazios", afirmou.

O presidente da Cooxupé avaliou ainda que a seca que afeta a produção de robusta no Vietnã e a quebra dessa espécie de café no Brasil na safra que está sendo comercializada e na que será colhida (a 2016/17) também sustentam a alta do café arábica. Isso porque, diante da escassez de robusta, aumentará a demanda pelo arábica nos blends.

Apesar da valorização recente dos preços na bolsa de Nova York, Costa considera que as cotações estão aquém do que poderiam estar. "Não está ruim, mas não está excelente". Para ele, o café poderia estar num patamar de US$ 1,50 por libra-peso. Nesta quinta-feira, o contrato de café para maio fechou em forte alta de 2,7% (350 pontos), a US$ 1,3255 por libra-peso na bolsa americana.

A produção de café arábica na região de atuação da Cooxupé deve alcançar 9,5 milhões de sacas na safra 2016/17, que será colhida a partir de maio. Desse volume, 7,5 milhões de sacas devem ser produção de associados da cooperativa. Em 2015/16, quando parte das regiões de cultivo de Minas foi afetada pela seca, a produção na região da Cooxupé somou 7,7 milhões de sacas, considerando cooperados (6,18 milhões de sacas) e não cooperados. A expectativa da cooperativa é exportar 4,6 milhões de sacas de café da safra nova.

A jornalista viajou a convite da Cooxupé

Por Alda do Amaral Rocha | De Guaxupé (MG)

Fonte : Valor

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