Cooxupé avança de olho no clima e em qualidade

O maior volume de chuvas registrado em fevereiro no cinturão cafeeiro mineiro amenizou a preocupação dos produtores com o desenvolvimento da safra 2019/20 do grão, que será colhida a partir de maio no país. As altas temperaturas, contudo, ainda podem trazer prejuízos aos produtores.

"Faltou chuva em janeiro, mas nosso solo estava bem composto de água, então ainda havia água armazenada para esperar a chuva chegar em fevereiro. Já as temperaturas ficaram entre 2 e 3 graus acima da média, e isso é muito danoso para o café", afirmou ontem a jornalistas José Eduardo Santos Júnior, superintendente de desenvolvimento do cooperado da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), a maior exportadora de café do Brasil.

Ele explicou que as temperaturas elevadas podem inibir o desenvolvimento dos grãos, fazendo com que eles fiquem mais leves e diminuindo o rendimento da produção. "Mas não sabemos ainda se vai ter algum problema".

A preocupação se dá em um momento em que os preços do café estão em baixa em razão da oferta elevada no mercado mundial. Ainda que a safra 2019/20 seja de bienalidade negativa para a espécie arábica no Brasil, a perspectiva é de produção elevada.

A Cooxupé mantém a expectativa de negociar 5,8 milhões de sacas de café arábica em 2019, uma queda de 9,3% em relação ao recorde do ano passado (6,4 milhões de sacas), quando a bienalidade da safra foi positiva.

Considerando apenas seus cooperados, a Cooxupé deverá receber 4,5 milhões de sacas, um alta de 4,6% em relação à previsão de janeiro (4,3 milhões). No ano passado os cooperados entregaram 5,1 milhões de sacas de arábica, ou 5% da produção mundial.

A cooperativa também se mostra particularmente animada com o mercado de cafés especiais. A SMC Specialty Coffees, empresa que controla nessa frente, projeta ampliar em 32,5% suas exportações em 2019, para 110 mil sacas de 60 quilos, em razão da expectativa de demanda aquecida no mercado asiático. As vendas totais da companhia tendem a somar, assim, 120 mil sacas, 9% mais que no ano passado.

"Esse crescimento vai depender de como será a demanda, mas pode ser que seja até maior", disse Osvaldo Bachião Filho, diretor da SMC. Os principais mercados da empresa são os países asiáticos, especialmente o Japão, além de EUA e Europa.

Segundo ele, o avanço das vendas também deverá ser impulsionado pelo aumento do interesse do consumidor brasileiro pelos cafés especiais. "Estamos começando um programa em parceria com as cafeterias brasileiras porque no país há um movimento forte por cafés especiais e precisamos participar disso".

Para estimular o aumento da entrega de produtos de qualidade por seus cooperados, a Cooxupé vai premiar os 50 melhores lotes com R$ 2 mil, e com um valor de R$ 25 mil para o grão que obtiver a melhor colocação. "Vamos abrir a disputa somente para cooperados que entreguem 75% do total produzido para a cooperativa", afirma Bachião Filho.

Por Marcela Caetano | De Guaxupé (MG)

Fonte : Valor