Cooperativismo contribuiu para a expansão da cultura no Estado

Não se pode contar a história da soja sem reservar pelo menos um capítulo ao cooperativismo.

Ele esteve nas origens do processo de expansão da sojicultura no Rio Grande e em outros estados.

Se não chegou mais longe, foi por acidentes de percurso. Por exemplo, alguns líderes se descolaram das bases, embarcando na ilusão de que estavam no poder e podiam dar passos maiores do que as próprias pernas. Foi o caso da Fecotrigo-Centralsul, que faliu em 1982 por não poder sustentar operações dolarizadas de exportação de soja e importação de fertilizantes.

O colapso da Fecotrigo e de algumas cooperativas manchou a reputação do sistema no Rio Grande do Sul, mas o cooperativismo técnico se manteve de pé em diversos setores – destaque para os de laticínios e crédito.

Na arrancada da sojicultura, nenhuma cooperativa empenhou- -se tanto na aliança produtores- -governo quanto a Cotrijuí, fundada em 1957. Além de colocar-se na vanguarda do plantio no Rio Grande do Sul e da logística de transporte dos grãos por hidrovia, usando barcaças no percurso Estrela-Rio Grande, essa cooperativa atendeu a pedidos do governo militar para assumir projetos de assentamentos de colonos em áreas de fronteira agrícola de outros estados, onde o único fator de infraestrutura era a terra coberta por alguma vegetação nativa.

Em suas mãos desapareceu uma usina de açúcar e álcool implantada em 1974/75 pelo Incra em Altamira, no Km 92 da Rodovia Transamazônica.

A poderosa cooperativa de Ijuí estava tão enfronhada na dinâmica das exportações que promoveu uma inédita excursão de agricultores gaúchos aos Estados Unidos. Desfrutando dos lucros da safra de 1974, mais de 100 produtores, jornalistas e políticos percorreram durante três semanas vários elos da cadeia produtiva da soja em território ianque. Um dos pontos altos foi uma visita ao pregão da bolsa de mercadorias de Chicago, a meca dos grãos.

Dissidências sobre dívidas e projetos arrastaram a Cotrijuí para uma situação de insolvência.

Em outubro passado, com dívidas de mais de R$ 2 bilhões, ela teve sua liquidação decretada pela Justiça. Restam-lhe algumas atividades, como uma rede de supermercados; armazéns e um frigoríico estão arrendados, mas apenas um grupo de associados ainda luta pela sua sobrevivência.

Jonas Vieira, repórter da Rádio Progresso, disse ao JC que a Cotripal, de Panambi, está de olho para ocupar espaços antes ocupados pela Cotrijuí, responsável, nos anos 1970, pelas operações que deram origem ao chamado superporto de Rio Grande, ponto inal do primeiro "corredor de exportação" de soja.

Fonte: Jornal do Comércio

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