Cooperativas se ajustam à quebra na colheita de soja

Julio Bittencourt/Valor / Julio Bittencourt/Valor
José Aroldo Gallassini, da Coamo, espera receber 45 milhões de sacas (20% menos) que em 2011. "Temos programação de exportação para o ano todo", diz

A quebra na safra de soja está levando cooperativas do Paraná a refazer a estratégia de esmagamento do grão. Três meses depois de inaugurar uma unidade, a Copacol, de Cafelândia, decidiu reduzir o ritmo de funcionamento para garantir o estoque do produto para uso próprio. A empresa tinha a expectativa de receber 6 milhões de sacas, mas o volume chegou a 3,6 milhões, 40% menos, o que a levou a deixar de atender demandas de terceiros.

A cooperativa investiu R$ 80 milhões na indústria de soja e consome em fábrica de ração o equivalente a 40% de sua capacidade de processamento, que é de 1,8 mil toneladas de grãos por dia. Durante dois meses, a unidade funcionou em ritmo normal, mas a direção da Copacol optou por deixá-la fechada a cada 15 dias, para manter os estoques de soja. "Temos o suficiente para as nossas necessidades", diz o presidente da cooperativa, Valter Pitol, que vai reavaliar a decisão a cada mês.

O executivo explica que a Copacol pode comprar soja de não-cooperados, mas optou por esperar. "A esses preços [R$ 56 a saca para o produtor, na região], não sabemos se haverá rentabilidade", comenta. Ele conta que planejava processar 450 mil toneladas de grão e, agora, "com bastante otimismo", quer chegar a 300 mil toneladas em 2012 e já conta com prejuízo na unidade. A Copacol abate 320 mil frangos por dia.

Na Coopavel, de Cascavel, o processamento de soja também será menor no ano. O presidente da cooperativa, Dilvo Grolli, conta que, em vez de 240 mil toneladas, serão esmagadas 200 mil toneladas. "Vamos oferecer menos para o mercado", diz ele. "Para o nosso consumo dá", acrescenta. Segundo o executivo, o Paraná tem estoque de 25% da safra, metade do que tinha em anos anteriores, e existe risco de que falte o grão no Estado no fim de 2012.

O Paraná enfrentou quebras de safras por estiagem em anos anteriores, mas o consumo do grão para ração era menor. Atualmente o Estado é o maior produtor de frango e também depende de soja para os segmentos de suínos e leite. E a exportação aumentou. "Talvez seja necessário trazer soja dos Estados Unidos, porque países vizinhos, que seriam opção, também tiveram quebras", diz Grolli. Na opinião dele, a situação das cooperativas é mais tranquila do que de empresas que não recebem o grão direto do produtor.

Luiz Lourenço, presidente da Cocamar, de Maringá, conta que, como o produtor vendeu a soja mais rápido para aproveitar os preços, a cooperativa está comercializando grão que seria usado em sua indústria nos próximos meses. "Vamos ter menos soja própria para processar no segundo semestre", adianta. A previsão de esmagamento foi mantida em 1 milhão de toneladas. "Estamos vendo que talvez seja mais difícil encontrar soja no segundo semestre, mas vamos ter de encontrar." A Cocamar já compra soja de terceiros, mas em 2012 o volume será maior, de acordo com Lourenço.

Outra que recebeu menos soja que o previsto foi a Coamo, de Campo Mourão. Seu presidente, José Aroldo Gallassini, lembra que em 2011 os cooperados entregaram 56 milhões de sacas e, em 2012, 45 milhões, 20% menos. "Temos programação de exportação de óleo, farelo e grão para 12 meses", diz, acrescentando que a velocidade de venda pelos produtores está em ritmo acelerado. A Coamo não pretende reduzir a industrialização e, como em anos anteriores, também vai comprar grãos de terceiros. Ela tem duas indústrias, uma em Campo Mourão, que esmaga 3 mil toneladas por dia, e uma em Paranaguá, com 2 mil toneladas diárias.

De janeiro a abril, a movimentação de soja pelo porto de Paranaguá foi 68% maior, na comparação com igual período de 2011. Foram 3 milhões de toneladas exportadas, ante 1,8 milhão no primeiro quadrimestre de 2011. Em farelo de soja o crescimento foi de 23%, chegando a 1,6 milhão de toneladas. A Abiove, que reúne as empresas de óleo, já conta com redução no volume processado da oleaginosa no Brasil, de estimadas 37,6 para 34,8 milhões de toneladas, e a produção de óleo, segundo a associação, deve cair de 7,15 para 6,7 milhões de toneladas.

Fonte: Valor | Por Marli Lima | De Curitiba

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