Cooperativas do RS entram na era da gestão digital

Produtor de Pejuçara, no Noroeste, foi um dos 90 selecionados para testar ferramenta SmartCoop, que agora estará disponível a 173 mil agricultores

21/04/2021 – 14h03minAtualizada em 21/04/2021 – 14h03min

Gisele Loeblein

GISELE LOEBLEIN

Danúbia Goes dos Santos / Cotripal / DivulgaçãoO agricultor Tiago Sartori, de Pejuçara, utiliza recursos da ferramenta nos módulos de propriedade digital e comercializaçãoDanúbia Goes dos Santos / Cotripal / Divulgação

Associado da Cotripal Agropecuária Cooperativa, Tiago Sartori trocou as planilhas no computador por um aplicativo capaz de realizar análises das lavouras e ficar de olho no mercado. Há cerca de um mês, vem utilizando a SmartCoop, plataforma oficialmente lançada ontem. Ele faz parte de grupo de testes que reúne 90 agricultores. A ferramenta, como antecipou a coluna, é parceira de Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro-RS) e CCGL, com participação de 30 associadas.

Sartori é um dos 173 mil que podem ter acesso à plataforma. O agricultor de Pejuçara, no Noroeste, tem com os irmãos uma propriedade de 358 hectares (295 dos quais com milho, soja e trigo).

Com a ferramenta, Sartori conta que consegue conferir o desenvolvimento vegetativo por mapas de satélites e a previsão do tempo por talhão, além de gerir a colheita e os manejos. Ele tem acesso a históricos de dados, a análises e a saldos e extratos na cooperativa à qual está associado. Assistência técnica pelo aplicativo e ranking anônimo de produtividade, comparando o seu desempenho com o de outros associados, também são possíveis, segundo o produtor.

—  Na semana passada, assim que encerramos a colheita, coloquei os dados na SmartCoop. A plataforma processa esses dados. Ela também dá o poder de análise, que era mais manual —  descreve.

Guilhermo Dawson Júnior, diretor-superintendente da CCGL e coordenador do projeto, a plataforma permite uso on e offline. Quando o produtor está em área sem sinal de internet, armazena os dados, e o envio ocorre assim que houver conexão. O objetivo da plataforma, segundo ele, é aumentar a produtividade do produtor e da cooperativa.

O objetivo da plataforma é aumentar a produtividade do produtor e da cooperativa.
GUILLERMO DAWSON JÚNIOR

Diretor-superintendente da CCGL e coordenador do projeto

— As cooperativas estavam na era analógica, agora estão indo para a digital — destaca Dawson.

Presidente da Fecoagro, Paulo Pires diz que a tecnologia precisa gerar avanço de informação:

— Essa ferramenta tem de servir para as cooperativas ajudarem o produtor na gestão da propriedade.

A iniciativa em números

  • O projeto começou a ser desenhado em 2019. Foram investidos R$ 4,5 milhões 
  • Em fevereiro deste ano, ficou pronto e passou a ser testado
  • A plataforma tem três áreas: propriedade digital, vendas e central de compras. Produtores acessam agora as duas primeiras
  • Smart, em inglês, significa inteligente. E é essa a ideia: cooperativas inteligentes
  • Terão acesso 173 mil produtores de 30 cooperativas: Languiru, Santa Clara, CAAL, Cotrisul, Camnpal, Camal, Piá, Coagrijal, Coomat, Cotricampo, Cotrisel, Cotrijuc, Cooperoque, Cotrirosa, Coopermil, Coopatrigo, CCGL, Agropan, Cotribá, Cotrijal, Cotriel, Coagrisol, Cotripal, Cotrisoja, Cotrifred, Coagril, Cotrisal, Coopibi, Cotapel e Coasa
  • Juntas, estas cooperativas representam 3,5 milhões de hectares que, cultivados, correspondem a 50% da produção de soja, 60% da de trigo e 45% da de leite no Estado
  • Em relação ao valor da ferramenta, cada cooperativa deve definir, junto ao seu associado, quanto ou se haverá custo

*Colaborou Isadora Garcia

Fonte: Zero Hora

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