Cooperativas do Paraná inauguram frigorífico de R$ 250 milhões

Sediado no município de Castro (PR), o frigorífico de suínos foi projetado para atingir um faturamento de R$ 1 bilhão em 2019
Depois de investirem R$ 250 milhões, as cooperativas paranaenses Castrolanda, Frísia e Capal inauguram oficialmente hoje o principal projeto "greenfield" da indústria de carne suína dos últimos cinco anos.

Sediado no município de Castro (PR), na região dos Campos Gerais, o frigorífico de suínos construído em sociedade pelas três cooperativas foi projetado para atingir um faturamento de R$ 1 bilhão em 2019, afirmou ao Valor o superintendente da unidade industrial, Ivonei Durigan.

Apesar de a inauguração ocorrer hoje, na prática o frigorífico já vinha realizando abates desde janeiro e já deverá faturar R$ 280 milhões em 2015, explicou o executivo. "Mas só agora finalizamos a montagem das máquinas dos industrializados", disse Durigan, citando linhas de produção de itens como presunto, bacon e salame.

Com o pontapé inicial da produção comercial de industrializados, a intercooperação – como é conhecida a sociedade entre três cooperativas, que também são sócias nas áreas de moagem de trigo e laticínios – também lançará uma marca própria no varejo, a Alegra Foods. Inicialmente, os produtos da marca serão vendidos no varejo e no atacado no Paraná, mas a intenção é expandir as vendas para outros Estados do país. "Como o volume está no startup, iniciamos com foco no Paraná", disse.

A unidade tem capacidade para produzir mensalmente 1,8 mil toneladas de produtos industrializados – da maneira como foi projetada, essa capacidade pode ser duplicada com mais investimentos. Atualmente, a produção é de cerca de 700 toneladas, de acordo com Durigan. Boa parte desse volume, porém, não é destinado aos itens da Alegra Foods.

A intercooperação mantém contrato de fornecimento com a paulista Ceratti, conhecida pela produção de mortadelas. "A Ceratti ficará com 40% da capacidade total de 1,8 mil toneladas", disse Durigan. Em recente entrevista ao Valor, executivos da Ceratti disseram que o contrato com a intercooperação prevê fornecimento mensal de 800 toneladas de frios e embutidos.

Com relação aos abates de suínos, a expectativa da intercooperação é elevar a produção gradualmente. De acordo o superintendente da unidade, os abates tiveram início em janeiro, período em que a empresa só comercializava a carcaça – o que não é considerado rentável nesse tipo de indústria. Em fevereiro, porém, a produção de cortes de carne suína começou.

Atualmente, o frigorífico abate 2,1 mil suínos por dia, dos quais 1,8 mil são dessossados – o restante é vendido ainda em carcaça. "Mas o objetivo é cortar e industrializar tudo", afirmou Durigan. Da produção atual do frigorífico, 25% da carne já é exportada, sobretudo para Hong Kong e Uruguai. O objetivo é exportar de 30% a 40%.

Considerando apenas o ritmo de trabalho em um turno, o frigorífico da intercooperação é capaz de abater 2,3 mil suínos por dia, capacidade que deve ser atingida já em 2016, quando Durigan espera que a indústria fature cerca de R$ 600 milhões.

O planejamento das três cooperativas prevê que, em 2019, os abates dobrem para 4,6 mil animais, o que permitira ao frigorífico faturar R$ 1 bilhão. Para tanto, porém, há um cronograma de investimentos dos cooperados na ampliação das granjas. Ao todo, serão necessários mais R$ 250 milhões, segundo Durigan. Esses aportes serão feitos na mesma proporção da sociedade – a Castrolanda detém 55% do frigorífico; a Frísia, 25%; e a Capal, 20%. Em agosto, a Frísia, de Carambeí (PR), inaugurou uma granja de matrizes.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Fonte : Valor

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