Cooperativas dizem que podem crescer apesar de ano difícil

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Antonio Chavaglia, da Comigo: investimento de R$ 250 milhões para ampliar capacidade produtiva e de armazenamento

No dia 12, lideranças das 1,6 mil cooperativas agropecuárias brasileiras levaram à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, um documento com propostas para a safra 2019/20. Entre as reivindicações, os representantes solicitam a garantia da oferta de R$ 220 bilhões do crédito rural, dos quais R$ 170 bilhões para custeio e comercialização e o restante para investimentos. Também alertam para o risco de desmonte do atual Sistema Nacional de Crédito Rural sem a adequada mensuração das consequências. Com um milhão de associados e 188 mil empregados, o setor tem 11% de participação no faturamento do agronegócio.

"Os cenários político e econômico do país têm interferido nos resultados de todos os setores e isso inclui as cooperativas", diz o presidente do Sistema Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Márcio Lopes de Freitas. "Entretanto, o cooperativismo possui um elemento que possibilita passar pelas dificuldades minimizando seus impactos negativos: trata-se do cooperado." Freitas prevê que 2019 será mais um ano difícil, mas a expectativa do setor é crescer: "Temos tido um excelente relacionamento com os novos interlocutores do governo federal e isso aumenta muito as nossas expectativas em relação à retomada."

Responsável por 3,2% da produção nacional de grãos, em 2018 a Coamo faturou R$ 14,8 bilhões, 33,6% a mais que no ano anterior. Seus 28,6 mil associados plantam principalmente soja, milho, trigo e café em 71 municípios do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Para 2019, a expectativa é receber volumes menores.

"Estamos vivendo um ano com frustração de safra por causa da seca, mas achamos que podemos ter bons resultados", prevê o diretor-presidente José Aroldo Gallassini. A cooperativa, com sede em Campo Mourão (PR), está investindo R$ 700 milhões em uma fábrica de esmagamento de soja e em uma de refino e envase de óleo de soja em Dourados (MS), que deve ser inaugurada até outubro.

Em 2018 a C.Vale, com 21 mil cooperados e 150 unidades no Sul, Centro-Oeste e Paraguai, faturou R$ 8,5 bilhões, 23% a mais que no ano anterior. "Investimos R$ 110 milhões para estruturar um sistema de produção de peixes que começou a operar no fim de 2017 com 130 produtores integrados", conta o presidente Alfredo Lang. "Em abril abatemos 85 mil tilápias por dia e nosso plano é chegar a 100 mil até o final do ano."

A meta para 2019 é aumentar o faturamento em 15%. "O crescimento da cooperativa não é um fim em si mesmo, o associado tem que crescer junto", ressalta Lang.

No ano passado a Lar, com 10,9 mil associados em 11 municípios do Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, faturou R$ 6,4 bilhões, 26% a mais que em 2017. Um dos principais investimentos para 2019 será uma granja de suínos em Santa Helena (PR). "Na área de grãos teremos um crescimento mais orgânico, ou seja, vamos ocupar uma fatia maior de mercado no MS", informa o presidente Irineo da Costa Rodrigues.

"Adquirimos um complexo industrial em Caarapó (MS) e vamos fazer um estudo para implantar nos próximos dois anos uma planta de esmagamento de soja e refino". A cooperativa também deve investir em uma indústria de biodiesel no mesmo local.

No ano passado a Copacol faturou R$ 3,8 bilhões, 11% a mais que em 2017. Seu presidente, Valter Pitol, atribui o bom resultado ao forte empenho dos cooperados e colaboradores na redução de custos. Este ano a cooperativa paranaense planeja investir R$ 285 milhões. Desse valor, R$ 120 milhões serão destinados a um centro de distribuição na comunidade da Penha, em Corbélia (PR), R$ 60 milhões a uma granja multiplicadora de matrizes de suínos e R$ 60 milhões à ampliação da Unidade Industrial de Aves, em Cafelândia. Outros R$ 30 milhões serão investidos na construção de uma unidade para recebimento e armazenagem de grãos na comunidade Melissa.

Entre 2018 e 2019, a cooperativa agroindustrial Comigo, com 7,3 mil associados em Goiás, está investindo R$ 250 milhões para ampliar sua capacidade produtiva e de armazenamento. Entre as obras estão um misturador de suplemento mineral em Jataí; uma nova fábrica de ração em Rio Verde; um armazém para 2 milhões de sacas de soja, já pronto; e outro, com a mesma capacidade, para armazenar milho. "Também estamos construindo um armazém em Indiara para 1 milhão de sacas e iniciando a construção de outro em Palmeiras de Goiás", conta o presidente Antonio Chavaglia.

Por Dauro Veras | Para o Valor, de Florianópolis

Fonte : Valor

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