Cooperativados buscam direitos

Empresa tenta bloquear a soja estocada para garantir pagamento das dívidas com agricultores

Produtores rurais associados à Cooperativa Mista Ourense (Camol), com sede em São José do Ouro, tentam impedir a saí- da de grãos dos armazéns da cooperativa. Com a suspensão dos pagamentos aos produtores que entregaram a safra, querem garantir o recebimento dos valores devidos.
Empresas da região que também compraram grãos da cooperativa e já pagaram parte do acordado não estão conseguindo receber. Uma indústria de biodiesel de Erechim ingressou com ação cautelar e garantiu na Justiça o sequestro de 14,7 mil toneladas de soja tipo exportação. Desde o começo do mês, eles enviam caminhões para carregar o produto, que retornam vazios. Na ação judicial, a indústria informou que a cooperativa estaria com baixos estoques de grãos e estaria dando prioridade a entrega para outras empresas.
Além de empresas, cerca de 4,1 mil associados correm risco de não receber pelos produtos entregues. O agricultor Paulo Roberto Pilotto entregou 3 mil sacos de soja na unidade da cooperativa em Tupanci do Sul, mas não recebeu os valores. Na manhã de quarta-feira se uniu a cerca de 500 produtores e foi para a frente dos armazéns, impedindo a retirada de grãos por outras empresas.
– É nosso suor, nosso trabalho, não podem levar a única coisa que garante que vamos receber. Se a Camol quebrar, a região vai junto – salienta Pilotto.
Os protestos ocorreram nas seis unidades da cooperativa em Tupanci do Sul, Santo Expedito do Sul, Cacique Doble, Barracão, São José do Ouro e Machadinho. Boatos de que a diretoria teria solicitado a dissolução da cooperativa foram desmentidos pelo presidente Adilo Gelain. Numa reunião com prefeitos, representantes de sindicatos e produtores, ele alegou que a cooperativa teria tido um volume remanescente de soja deixado pelos associados no ano passado, sem faturar e que, este ano, com a elevação dos preços, teria havido um avalanche de faturamentos, provocando dificuldades financeiras.
– Estamos levantando os dados, mas nossa prioridade é pagar os associados – afirmou Gelain.
Segundo o dirigente, a cooperativa teria em estoque 600 mil sacas de soja e também aguarda o pagamento dos valores relativos à venda de soja feita a uma multinacional, cuja liquidação judicial está em andamento. Conforme Gelain, uma auditoria está sendo realizada e uma reunião será marcada com os associados em 10 dias, para apresentar plano de pagamento para os agricultores.
O associado Kleber Lenzi, que faz parte de uma comissão de negociação, disse que produtores ingressaram através dos sindicatos, com ações cautelares no Fórum de São José do Ouro e Erechim, pedindo o bloqueio do produto estocado.
O valor das dívidas da cooperativa não foi divulgado pela diretoria da Camol, mas segundo o presidente envolve débitos antigos, inclusive com a Previdência Social. Fundada em 1968, a cooperativa tem sede tem 4,1 mil associados, que entregam produtos como soja, milho, trigo, feijão. A cooperativa também faz comércio de insumos, resfriamento de leite, industrialização de erva-mate, trabalhos de reflorestamento e produção de rações.
marielise.ferreira@zerohora.com.br

MARIELISE FERREIRA

Fonte: Zero Hora

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