Cooperação na reconstrução

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, anunciou nesta segunda-feira (16), em Mariana (MG), as primeiras ações da pasta para auxiliar na recuperação da região atingida pelo rompimento das barragens. Além de liberar o uso das máquinas do PAC doadas às prefeituras de Minas Gerais e Espírito Santo para ajudar no socorro às famílias, o MDA também vai realizar o cadastro de agricultores familiares e assentados da reforma agrária afetados pela tragédia.

Ao manifestar solidariedade, Patrus salientou a importância em se atender essas famílias, especialmente em virtude da deterioração da qualidade da água do rio Doce. “Precisamos pensar em curto, médio e longo prazo. Temos que atender às famílias atingidas e também pensar na recuperação de todo esse território, avaliando os impactos com seriedade e de forma integral, em toda a região e não só aqui em Mariana”, afirmou ao antecipar que o MDA vai realizar mutirões para emissão de documentos às famílias rurais que perderam tudo com a onda de lama.

Outra medida anunciada pelo ministro é o levantamento do número de agricultores que acessou o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e perdeu a propriedade ou a produção, para que as dívidas possam ser abonadas. “Vamos atuar em conjunto com outros ministérios, pois esta tragédia terá, com certeza, desdobramentos, principalmente na questão ambiental. Além disso, estamos prometendo um levantamento das agricultoras e agricultores familiares, para que possamos levar a eles nossa política de seguro agrícola, no sentido de perdoar as dívidas daqueles diretamente atingidos”.

Ainda em Mariana, o ministro Patrus Ananias e a presidente do Incra, Maria Lúcia Falcón, se encontram com representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e com os  padres Geraldo Martins e Geraldo Barbosa, da Arquidiocese do município, para analisar a dimensão do desastre ambiental.

Joceli Andrioli, da coordenação do MAB, apresentou ao ministro parte da dimensão da tragédia. “A devastação da região é grave e ainda não conhecemos sua dimensão total, mas a situação da bacia do rio Doce é crítica. O rio está morto e podemos demorar uns 20 anos para recuperar sua biodiversidade”, destacou a liderança ao lembrar que, além das famílias da comunidade mineira de Bento Rodrigues, toda a população da bacia do rio Doce merece atenção.

Para a presidente do Incra, é preciso reavaliar o modelo de desenvolvimento. “Não somos contra a mineração, mas precisamos pensar um modelo de desenvolvimento que seja sustentável e renovável, que valorize a vida acima do lucro”, afirmou Maria Lúcia Falcón durante o encontro.

Uma das grandes preocupações, agora, é com a situação das famílias de agricultores, assentados da reforma agrária, quilombolas e povos indígenas atingidos pela deterioração da qualidade da água em toda a calha do rio Doce.

Retomando a vida

Além de conhecer de perto a realidade das famílias atingidas pela onda de lama, Patrus também participou da retomada das aulas para os estudantes do distrito de Bento Rodrigues, que foram remanejados para a escola municipal Dom Luciano Mendes de Almeida.

Durante a visita, Patrus reforçou o compromisso do Governo Federal em evitar que tragédias, como a ocorrida em Mariana, não venham a acontecer. “Estamos aqui em solidariedade a todos aqueles que estão empenhados em atender a população atingida, e queremos que as empresas envolvidas nesse processo cumpram rigorosamente os seus deveres, perante o Estado brasileiro e perante a sociedade, tomando medidas vigorosas para evitar a ocorrência de novas tragédias."

Mateus Zimmermann 
Ascom/MDA

Fonte : MDA

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