Coopavel deve ampliar seus investimentos

Alécio Cezar/Rally da safra 2018

Dilvo Grolli, presidente da Coopavel: investimentos deverão somar R$ 120 milhões em 2019, ante R$ 44,5 milhões em 2018

Otimista com o cenário doméstico, a diretoria da Coopavel, cooperativa com sede em Cascavel (PR), prevê que os investimentos do grupo mais que do dobrarão em 2019.

"Neste ano deveremos investir R$ 120 milhões., ante os R$ 44,5 milhões de 2018", afirmou o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli. Segundo ele, esses investimentos serão direcionados para melhorias na operação de suínos e no recebimento de grãos. A capacidade de armazenagem também será ampliada.

"Vamos aumentar o investimento por acreditamos que a economia está num novo rumo", disse Grolli.

Em 2018, os resultados da Coopavel foram animadores. A cooperativa teve receitas de R$ 2,5 bilhões, 20% mais que em 2017. As sobras – lucro das cooperativas – somaram R$ 40 milhões, patamar estável ante o resultado do ano anterior.

"Foi a área de carne que pressionou as margens no ano passado", disse Grolli. Segundo ele, houve um custo maior no mercado interno com os insumos para ração (milho e farelo de soja) e consumo de carne caiu no país.

O que foi o calcanhar de Aquiles para a área de carnes da cooperativa, foi motivo de comemorações entre os produtores de grãos.

No ciclo 2017/18, a demanda por milho e soja esteve aquecida, em parte pelas quebras de produção na Argentina e também no Brasil (milho) e, em parte, pela guerra comercial entre Estados Unidos e China. A disputa entre os dois gigantes do comércio elevou os prêmios pagos pela soja brasileira nos portos. Em momentos de picos, o prêmio chegou a ficar US$ 2 maior que a cotação do bushel (27,2 quilos) na bolsa de Chicago.

A quebra da Argentina, elevou preços dos grãos tanto no mercado internacional quanto no mercado doméstico. Os preços já estavam em patamar atrativo quando o Brasil também sofreu com perdas em Mato Grosso do Sul e Paraná. Nas áreas da Coopavel, contudo, as perdas foram mínimas.

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produtividade média do segundo ciclo de milho – a safrinha – em 2017/18 foi de 71,2 sacas de 60 quilos por hectare no Paraná. Entre os associados da Coopavel, no entanto, foram registrados rendimentos entre 80 a 100 sacas por hectare.

A "boa sorte" deve permanecer no ciclo 2018/19. A safra de soja no Paraná deve sofrer com quebras. Estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado, apontam para perdas de 16% em relação às primeiras estimativas para o ciclo corrente.

"Aqui na Coopavel, a quebra deve ficar entre 12% e 14%", afirmou Grolli. Cerca de 60% dos 400 mil hectares semeados pelos associados da cooperativa foram colhidos.

No ciclo 2017/18, a Coopavel recebeu 402 mil toneladas de soja e deve receber 360 mil toneladas no ciclo 2018/19. A cooperativa também recebeu 184 mil toneladas de milho em 2017/18, além de 182 mil toneladas de trigo. "Ainda é cedo para termos projeção para recebimento de milho e trigo neste ciclo. Ainda há muita safra pela frente", afirmou o presidente da cooperativa.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor

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