Contratos antecipados de anidro ainda patinam

A três dias do fim do prazo para que as distribuidoras de combustíveis apresentem os contratos de compra antecipada de etanol anidro (que é misturado à gasolina), o diretor de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles, reconhece que está havendo dificuldade das partes (distribuidoras e usinas) de atribuir preço ao biocombustível.

"Trata-se, no entanto, de uma questão comercial, na qual não cabe ao governo intervir. Esperamos que até o fim do mês as pendências estejam resolvidas", diz Dornelles.

Pela resolução da Agência Nacional de Petróleo (ANP), no começo da safra as distribuidoras têm de apresentar à agência reguladora contratos de compra de 70% do etanol anidro que vão usar na safra para conseguir comprar a gasolina ‘A’ para realizar a mistura. Até julho, esse percentual tem que subir para 90%, explica Dornelles.

Se até o fim deste mês esses contratos não forem apresentados, diz Dornelles, o mercado terá a opção, segundo resolução da ANP, de entrar na modalidade de "compra direta", pela qual as distribuidoras terão de comprar e por em estoque o anidro que vão usar no mês subsequente.

A Copersucar, que vendeu na safra 2011/12 cerca de 4,7 bilhões de litros de etanol, afirma estar finalizando seus contratos de venda de anidro com distribuidoras. A empresa, que é a maior comercializadora de etanol e açúcar do país, está precificando o anidro a partir do preço do hidratado mais um prêmio. Segundo Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da empresa, historicamente a diferença de preços entre o anidro e o hidratado é de cerca de 14%. Os dois biocombustíveis também têm diferenças de custo de produção, sendo que o do anidro é 9% mais alto.

Mas a estrutura de contrato proposta pela Copersucar às distribuidoras com as quais negocia não está sendo, por enquanto, aceita por todo o mercado, diz um trader de uma das maiores comercializadoras de etanol do país. De acordo com ele, as distribuidoras querem usar o preço do próprio anidro como indexador, o que é contestado pelas usinas. Isso porque, diz ele, como 90% da demanda desse combustível será a partir de agora adquirida por contrato antecipado, os 10% restantes não serão suficientes para formar um preço que reflita o ‘mercado real’. "Assim, o anidro não será um indexador confiável", avalia o trader.

As distribuidoras que concordam com a precificação a partir do hidratado, no entanto, questionam o prêmio. "As usinas querem 15% e as distribuidoras, entre 7% e 8%", diz o trader.

O Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom) foi procurado para comentar o assunto mas, segundo o presidente-executivo da entidade, Alísio Mendes Vaz, a questão está na esfera das empresas associadas. "Elas é que estão negociando com produtores e, eventualmente, levando avaliações à ANP", disse.

Ontem, o diretor do MME, Ricardo Dornelles, reafirmou que o governo permanece firme na posição de não elevar a mistura de anidro na gasolina de 20% para 25%. Segundo ele, ainda não há segurança de que a produção de etanol será suficiente para atender uma mistura de anidro superior a 20%.

Fonte:  Valor |

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