Contratações de touros atestam crescimento do mercado de inseminação

Expointer possibilitou negócios entre pecuaristas e representantes de centrais

Expointer ajudou a consolidar negócios por aproximar os criadores e as centrais de inseminação

Expointer ajudou a consolidar negócios por aproximar os criadores e as centrais de inseminação | Foto: Nathã Carvalho / Divulgação / CP

A 42ª Expointer atestou que o mercado da inseminação artificial em bovinos está aquecido. Ao longo dos nove dias da exposição, vários touros com desempenho de destaque na exposição foram contratados por centrais e em pouco tempo passarão a ter sêmen coletado.

Mesmo nos casos em que o touro não estava presente na Expointer, a feira ajudou a consolidar negócios por aproximar os criadores e as centrais de inseminação. Segundo a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), o mercado cresceu 27% nas raças de corte durante o primeiro semestre deste ano. O avanço é atribuído à demanda por carne de qualidade e ao aumento das exportações, entre outros fatores.

Considerada a maior cooperativa de centrais de inseminação do mundo, a Select Sires passa a contar em sua bateria de touros com “Tarumã Majestic”, grande campeão da raça Charolês, e “Uber”, grande campeão sênior da raça Polled Hereford. Os animais são oriundos das cabanhas Tarumã, de Camaquã, e São Fernando, de Quaraí, respectivamente. Após um período de quarentena, terão seu sêmen coletado na Progen Inseminação Artificial, em Dom Pedrito, que presta serviços para a Select Sires.

Segundo o gerente do Departamento de Gado de Corte da Select Sires, Breno Cunha, os animais foram escolhidos pelo desempenho na Expointer. Os touros chamaram a atenção pela capacidade de atender a rebanhos comerciais. No caso do Polled Hereford, há ainda a busca por moderação para cruzamento industrial, em base de rebanho Nelore. “Na Expointer, vemos o touro na melhor condição possível”, explica Cunha, citando a preparação dos animais para o evento.

O diretor executivo da Asbia, Carlos Vivacqua, observa que a Expointer reúne o que há de melhor em termos de genética, tanto fenotípica quanto de programas de avaliação, especialmente nas raças taurinas e sintéticas. A feira é considerada um evento importante para encontrar animais com características raciais bem definidas. “Quando você tem esse palco, obviamente as centrais têm interesse de buscar os melhores indivíduos para colocar em coleta e comercialização”, justifica. O material genético coletado pode ser utilizado tanto no cruzamento industrial no Brasil Central, em especial nas fêmeas Nelore, quanto no melhoramento das próprias raças, em animais puros. Como os animais ainda têm de passar por uma quarentena sanitária, a estimativa é de que a coleta, na maioria dos casos, tenha início em período mais próximo do final do ano.

“Muitos programas de melhoramento lançam ou publicam seus sumários de touros na Expointer. Essa informação gera o negócio de imediato”, afirma o veterinário Fernando Velloso, sócio da Crio Central Genética Bovina, de Cachoeira do Sul. Após a Expointer, a empresa irá receber cinco touros: dois da raça Devon e os demais das raças Gir Leiteiro, Pardo Suíço e Nelore Mocho. Nem todos os animais estavam na Expointer, porém os negócios foram efetivados durante a exposição. Foi o que ocorreu com os dois touros Devon. Os animais contratados são os dois primeiros colocados no ranking do sumário da raça.

Segundo Velloso, a tendência é de que negócios como esses ocorram cada vez mais na Expointer, em razão do momento positivo do setor de inseminação e da oportunidade de reunir em um mesmo evento os criadores e representantes das diversas centrais de inseminação. A coleta de sêmen de Nelore, incomum no Rio Grande do Sul, deve-se à maior resistência do zebuíno ao carrapato.

Foto: Divulgação / CP

Pecuarista comemora visibilidade

A cabanha Tarumã, de Camaquã, passou a contar pela primeira vez com um touro em central de inseminação após a última edição da Expointer. Trata-se de Majestic, o Supremo Campeão da raça Charolês na exposição. Neto de Big Ben e filho de Bandit, dois expoentes da raça, Majestic demonstra ser um animal completo, segundo a proprietária da cabanha, Júlia Helena Berta Dorneles. Na primeira coleta, a estimativa de produção é de 7 mil doses.

De acordo com Júlia, a principal vantagem para a cabanha é a visibilidade, já que o material genético do touro vai ser destinado a diferentes regiões do país, tanto para cruzamento industrial quanto para a própria raça Charolês. “Não adianta termos um touro maravilhoso e ele estar guardado dentro da cabanha, só para nós”, resume. A principal característica que o touro deve agregar aos rebanhos, segundo ela, é o ganho de peso, que é próprio da raça Charolês.

Por Danton Júnior

Fonte : Correio do Povo