CONTAS PÚBLICAS – Debate sobre previdência rural pode gerar um desgaste ‘desnecessário’

Na avaliação de especialistas, o benefício financeiro de aumentar o tempo de contribuição do trabalhador do campo é muito baixo, tendo em vista a renda pequena e a migração para cidades

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O debate sobre as mudanças nas aposentadorias dos trabalhadores rurais deve gerar um desgaste político desnecessário para poucos efeitos financeiros, avaliam especialistas.

“As contribuições previdenciárias dos trabalhadores rurais representam muito pouco do ponto de vista de receita”, diz o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Balistiero.

“É um desgaste político sem qualquer tipo de benefício financeiro muito expressivo. Estamos falando de trabalhadores que ganham um salário mínimo”, complementa Balistiero.

Além disso, o coordenador de finanças do Ibmec-DF, William Baghdassarian, lembra que o processo de migração do campo para a cidade ainda é uma realidade no Brasil, o que tende a provocar redução no número de aposentados nas áreas rurais.

“Não há certeza se a quantidade de segurados no campo irá diminuir muito, porém é possível afirmar que esta não irá crescer tão rápido nos próximos anos”, comenta o professor do Ibmec-DF. A migração para as áreas urbanas ainda é explicada pelo processo de mecanização da produção agropecuária, o que faz com que as famílias mudem para a cidade em busca de melhores condições de vida.

Mudanças em discussão

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC), apresentada pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) no dia 20 de fevereiro, prevê aumento do tempo de contribuição previdenciária rural de 15 para 20 anos. Além de igualar a idade mínima de aposentadoria da mulher do campo com a do homem, em 60 anos. Hoje, a idade mínima delas é de 55 anos.

PAULA SALATI • SÃO PAULO

Fonte : DCI