Congresso debate práticas responsáveis

Fonte:  Jornal do Comércio

Menores impactos social e ambiental elevam a competitividade

MARCO QUINTANA/JC
Durante congresso do PGQP, Boechat desafiou governantes e empresários a promoverem sustentabilidade.
Durante congresso do PGQP, Boechat desafiou governantes e empresários a promoverem sustentabilidade.

Para conquistar mercado em um mundo com densidade demográfica crescente e uma demanda por sustentabilidade cada vez mais decisiva, as companhias privadas deverão focar seus empreendimentos na responsabilidade. Segundo o gerente de projetos e pesquisador do Núcleo Petrobras da Fundação Dom Cabral (FDC), Cláudio Boechat, é através de práticas mais responsáveis que está o futuro – já com reflexos no presente – da competitividade. Durante palestra no primeiro dia do 12º Congresso Internacional de Gestão, promovido pelo Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP), na Fiergs, o pesquisador demonstrou que alguns dos países mais competitivos do mundo são também aqueles que conseguem adotar métodos de menor impacto em âmbito ambiental e social. Como exemplo, cita a Suécia, hoje líder no ranking de competitividade no Fórum Econômico Mundial. "Países com maior competitividade econômica também estão entre os que alcançaram maior competitividade responsável", observa o gerente.
Para Boechat, no entanto, a responsabilidade não pode ser alcançada com base somente no ambiente corporativo. A implementação de políticas públicas constitui a pedra fundamental para impulsionar um movimento sustentável e responsável em uma nação. "A indústria está sendo formatada para ser mais competitiva com sustentabilidade", explica. "E o Brasil faz isso, por exemplo, com a Lei dos Resíduos Sólidos", completa. O dirigente destaca que o setor produtivo só atinge a responsabilidade quando encontra um ambiente com condições favoráveis para seu desenvolvimento, papel que fica a cargo dos governos para ser estabelecido.
Boechat faz uma analogia que, assim como as empresas, a natureza também é competitiva, porém, tem na ação de seus agentes a cooperação. No mundo empresarial, esse conceito deve ser adotado para que a humanidade continue evoluindo. O congresso que se iniciou ontem prossegue hoje, culminando com a entrega do 16º Prêmio Qualidade RS.

Produção de relatórios desafia empresas no Brasil

"Hoje grandes empresas que trabalham com informações financeiras passam a conceder informações não financeiras, ou seja, não é coisa de ‘verdinho’", brincou a dirigente do Global Reporting Initiative (GRI) Gláucia Terreo na palestra de encerramento do primeiro dia do 12º Congresso Internacional de Gestão. Em referência aos ecologicamente corretos, Gláucia adverte que dar publicidade à condição ambiental das companhias privadas não é mais uma opção, mas uma tendência que vem ganhando força ao redor do globo.
No Brasil, segundo ela, são apenas 150 as empresas que já publicaram relatórios de sustentabilidade nos moldes da GRI, número ínfimo quando levado em conta o universo empresarial do País, que conta com milhões de CNPJs. "Hoje há uma elite de empresas que adota, mas o número é muito baixo", diz. Apesar do baixo índice, Gláucia comemora o rápido crescimento na adesão brasileira à metodologia. Enquanto na Europa o crescimento de companhias que elaboraram relatórios cresceu 25% entre 2009 e 2010, o Brasil registrou aumento de 68% no período.
Gláucia sugere que o Brasil deveria se inspirar em países que tornaram a publicação de relatórios obrigatória. Ela cita o caso da Suécia e Dinamarca, onde as estatais informam seu desempenho ambiental.

Decisão deve envolver colaboradores

Envolver todos os colaboradores de forma que possam contribuir na gestão estratégica de uma corporação é uma das questões que mais influenciam positivamente na produtividade e alavancam competitividade dentro das empresas. Essa afirmativa resume o pensamento do professor em Administração de Empresas e Contabilidade do Departamento de Negócios da Universidade de Uppsala, na Suécia, Frederik Nilsson. "O controlador de uma empresa deve agir como um treinador", complementa.
"Além disso, seu principal papel é fazer com que a informação funcione dentro da companhia. Ele será o responsável pela troca de conhecimento dentro da organização." O especialista explica que possibilitar o acesso das informações e permitir que os colaboradores participem das tomadas de decisões, além de descentralizar processos, os tornam mais eficientes. Assim, a função do controlador influencia equilibradamente na estratégia, no sistema empresarial e no controle gerencial.

Inovação verde é tendência global

A greenovation, ou inovação verde, é uma megatendência global e irreversível e cabe às organizações desenvolverem projetos sustentáveis que gerem retorno para todos os seus stakeholders. A afirmação é do indiano Hitendra Patel, diretor do Centro de Excelência em Inovação e Liderança de Cambridge. Segundo o palestrante, a inovação verde parte de uma premissa de longo prazo, com a mudança de paradigmas no que se refere ao uso sustentável de energia. "Podemos definir a greenovation como a criação de um novo valor atendendo às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras."

Painéis ao vivo ilustram palestras

As palestras do 12º Congresso Internacional da Gestão ganharam um toque especial a partir de uma técnica diferenciada de registro gráfico. Enquanto o palestrante discorre sobre seu tema, ilustradores desenham e montam esquemas com palavras-chave, método elaborado por profissionais da Via Mosaico. Além de seminários, a técnica é utilizada em outras circunstâncias, como reuniões e processos de aprendizagem.

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