Congresso de Agroecologia quer fortalecer modelo de produção

Congresso de Agroecologia debate formas de cultivo que aliem sustentabilidade, saúde e desenvolvimento econômico

Roberta Mello

ANTONIO PAZ/JC

Encontro busca viabilizar a troca de informações entre a área acadêmica e os agricultores

Encontro busca viabilizar a troca de informações entre a área acadêmica e os agricultores

Ante as mudanças comportamentais da sociedade e a crescente preocupação com o tipo de alimento consumido e sua forma de produção, o tema agroecologia ganha espaço nos debates da sociedade civil e de órgãos governamentais. É para discutir formas sustentáveis de cultivo e consolidar a agricultura familiar que a Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), em parceria com diversas entidades, traz de volta ao Estado, após dez anos, o VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA-Agroecologia), entre os dias 25 e 28 de novembro, em Porto Alegre.
Já tendo conquistado avanços significativos, o encontro segue em busca de um maior reconhecimento à importância da agroecologia, principalmente para a saúde da população. O diretor técnico da Emater/RS e presidente da comissão organizadora do evento, Gervásio Paulus, explicou que “mesmo após a criação do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), da Lei de Ater (Lei de Assistência Técnica de Extensão Rural) e do surgimento de mais de 100 cursos voltados para o tema em todo País, ainda há muito a ser feito”.
Com a expectativa de receber aproximadamente 4 mil pessoas de diferentes estados e países, o evento contará com a presença de 80 palestrantes e painelistas brasileiros e estrangeiros. Porém, para Paulus, tão importante quanto a presença de acadêmicos é a participação dos produtores. “É necessária essa troca entre as partes, até porque os agricultores são os principais interessados na construção de novos modelos de produção”, disse o diretor técnico.
Quanto aos principais desafios a serem enfrentados, o presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), Eros Mussoi, destacou as práticas atuais do agronegócio, prejudiciais à qualidade de vida da população e aos ecossistemas. Para exemplificar a influência negativa da agroindústria sobre a saúde, Mussoi lembrou que o País é o campeão mundial no consumo de agrotóxicos, com cada pessoa consumindo cerca de 5 litros de defensivos agrícolas, pesticidas e afins por ano.
Também preocupado com as consequências do atual paradigma e com a estimativa de que, na última década, 276 mil agricultores abandonaram o campo, o secretário do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do Estado, Ivar Pavan, enfatizou que é preciso consolidar a agricultura familiar. Sendo assim, para Pavan, é crucial o desenvolvimento de políticas públicas, como a compensação de dívidas por serviços ambientais e a solidificação do Funterra. Durante o congresso acontecem também os seminários Estadual e Internacional de Agroecologia e o Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia.
As inscrições podem ser feitas através do site www.cbagroecologia.org.br.

Fonte: Jornal do Comércio |

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