Conflito entre EUA e China torna o cenário nebuloso

Acordo entre os dois países representa o maior risco, alerta Pessôa

Acordo entre os dois países representa o maior risco, alerta Pessôa

Os produtores que ontem acompanharam a palestra de André Pessôa, sócio-diretor do Grupo Agroconsult, na Expodireto devem ter saído do auditório, no mínimo, com uma grande pulga atrás da orelha. Membro do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp da Câmara de Commodities Agrícolas da B3, o engenheiro agrônomo falou sobre as perspectivas de mercado para o grão. E não poupou alertas aos agricultores sobre os muitos riscos inerentes ao conflito comercial entre os Estados Unidos e a China em relação aos preços e até a liquidez da soja no futuro.

Ao traçar os cenários possíveis, o mais impactante deles é o de um acordo entre os dois países e que leve ao retorno da compra de soja norte-americana por parte dos chineses.

Pessôa destaca que, uma perspectiva que antes era difícil de ser concretizada agora é bastante possível que se torne realidade. Como os Estados Unidos estão hoje com seus estoques lotados com grãos que deixaram de ser comprados pelos asiáticos, ocorre uma preocupação sobre onde será armazenada a próxima safra.

O executivo destacou que os produtores rurais foram os principais eleitores de Donald Trump, e estão arcando com um grande prejuízo com a guerra comercial. Os Estados Unidos nunca se preocuparam com falta de espaço para armazenagem, e agora estão. Por isso, é provável que Trump venha fazer algum acordo com a China para que compre, nos próximos meses, esse excedente que se acumula nos armazéns do país.

"Com isso, a venda da soja norte-americana que está estocada será feita em um período inédito e que poderá coincidir justamente com o tradicional período brasileiro de exportações. Isso vai alterar preços e até mesmo a liquidez na venda da soja, o que é algo inédito", alertou Pessôa.

Outro fator que tende a alterar o consumo de soja na China, diz Pessôa, é o avanço da peste suína africana, que pode levar o gigante asiático a reduzir significativamente o plantel. O que automaticamente levará a redução da necessidade de compra de soja para alimentação animal.

Milho é destaque nacional e gaúcho

A safra de grãos 2018/2019 deve alcançar a marca de 233,3 milhões de toneladas, com aumentos de 2,5% sobre o ciclo passado, segundo dados do 6º levantamento divulgados ontem pela Conab. O desempenho é impulsionado pela produção do milho, principalmente.

No Rio Grande do Sul o cultivo do milho grão (sem considerar aquele direcionado à silagem, deverá ter aumento de 7,43% na área plantada, com expectativa de produção é de 5,52 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 22,32% em comparação à safra passada. É o maior crescimento estimado para as culturas de verão este ano. Em produtividade, o crescimento previsto é de 13,87%, que se refere a uma média de 7,3 mil kg/ha.

"Esse crescimento é expressivo e importante para o Estado, porque o milho tem grande importância para o Estado especialmente nas cadeias de suinocultura, avicultura e gado leiteiro", comemora o presidente da Emater, Iberê de Mesquita Orsi.

/MARIANA CARLESSO/JC

Fonte : Jornal do Comércio

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