Confirmada a capitalização da Odebrecht Agroindustrial

Claudio Belli/Valor
Recursos provenientes do aumento de capital serão usados para garantir os investimentos, afirma Luiz de Mendonça, presidente da Odebrecht Agroindustrial

A Organização Odebrecht confirmou ontem o aumento de capital de R$ 820 milhões em sua controlada Odebrecht Agroindustrial, uma das principais produtoras de etanol e açúcar do país. Agora, os demais acionistas da empresa, entre eles a BNDESPar, têm 30 dias para exercer seu direito de preferência e acompanhar a sócia majoritária. Se todos os acionistas participarem da operação, a injeção total de capital na companhia sucroalcooleira alcançará R$ 1,46 bilhão.

O presidente da Odebrecht Agroindustrial, Luiz de Mendonça, afirmou ao Valor que, já entraram no caixa R$ 620 milhões aportados pela controladora, que detém 56% do capital da empresa. De acordo com ele, os R$ 200 milhões restantes serão injetados ao longo de 2015. Só será possível saber se essa participação acionária será mantida ou ampliada quando expirar o prazo para as eventuais subscrições dos outros acionistas.

Hoje com uma fatia de 14,4% da Odebrecht Agroindustrial, a BNDESPar, para participar integralmente da chamada de capital, terá de contribuir com cerca de R$ 210 milhões. Já o fundo Ashmore, que tem 13,1% da empresa, terá que colocar em torno de R$ 189 milhões para não ter sua participação no negócio diluída. No caso da Tarpon Investimentos, o montante necessário para preservar a participação de 2,4% chega a R$ 34,6 milhões.

Se de fato a capitalização atingir os R$ 1,46 bilhão planejados, a estrutura de capital da Odebrecht Agroindustrial passará a ser composta por 15% de equity (capital dos sócios) e 85% de dívida, ante uma proporção atual de 2% e 98%, respectivamente. Em 31 de março, o endividamento líquido da companhia controlada pela Odebrecht era de R$ 10,8 bilhões, para uma receita líquida de R$ 2,6 bilhões.

Os recursos serão usados para dar continuidade aos planos de investimentos em canaviais sem que, para isso, seja necessário elevar o endividamento. A operação foi a segunda medida anunciada neste ano pela Odebrecht Agro para equacionar sua estrutura de capital e garantir investimentos nesta e nas próximas duas safras. A primeira medida foi a venda dos ativos de cogeração, por R$ 3,7 bilhões, à Odebrecht Energia Renovável, subsidiária criada pelo grupo para investir em energia limpa.

Os recursos – tanto os provenientes da venda da cogeração quanto os do aumento de capital – deverão ser suficientes para garantir os investimentos de R$ 2,3 bilhões já aprovados pelo conselho da empresa para o triênio que começou nesta safra 2014/15, disse Mendonça. O orçamento prevê aporte de R$ 900 milhões em 2014/15 (basicamente para o plantio de cana), R$ 700 milhões em 2015/16 e outros R$ 700 milhões no ciclo 2016/17.

Nas nove usinas que tem – em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás -, a Odebrecht Agroindustrial deverá processar, na temporada 2014/15, de 25 milhões a 26 milhões de toneladas de cana, ante 22,5 milhões em 2013/14. Até 2016/17, a companhia pretende atingir uma moagem da ordem de 32 milhões de toneladas.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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