Confinamento de gado deve crescer 15% em 2012, segundo associação

Para entidade que representa o setor, aumento na exigência pela qualidade na carne exportada é um dos fatores que estimulam aumento

Glaicon Covre

Foto: Glaicon Covre / Agencia RBS

O confinamento de gado no Brasil deve registrar crescimento de cerca de 15% em 2012, conforme estimativa da Associação Brasileira dos Confinadores (Assocon). O rebanho bovino do país conta com 180 milhões de cabeças. Anualmente, são abatidos 36 milhões de animais, dos quais 10% são confinados. Já a consultoria Safras e Mercado prevê para este ano um aumento neste número entre 3% e 5%, seguindo a tendência dos últimos anos.

– O confinamento deve crescer. Até em função de que a cada ano a oferta é menor de pastagens para este gado extensivo que não temos. A cana, soja, milho invadem áreas de pastagens a cada ano. Então, o confinamento, para ser o caminho natural do Brasil, tem que trabalhar contratos futuros, proteção de preços na Bolsa de Valores, estratégia de compra de insumos mais agressiva ao longo de cada ano comercial – avalia o analista Paulo Molinari.

O presidente da Assocon, Eduardo Moura, é ainda mais otimista.

– O Brasil deixou de ser um exportador de carne barata e vai ter uma exigência de exportar com mais qualidade. Além disso, nosso gado é mais novo. O Brasil já abate animais mais novos. Há ano a ano o avanço da agricultura em áreas de pastagens, isto força também o crescimento do confinamento. Nós temos tido uma deterioração das nossas pastagens. Muitas são antigas e algumas regiões têm cigarrinha, morte súbita do capim, seca forte, criando problema para engorda no pasto. A somatória dos fatores vai levar a um crescimento, apesar de os custos não estarem estimulantes, maior do que 3% ou 5%, na minha visão – argumenta.

De olho neste mercado, a indústria de suplementos alimentares pega carona no crescimento da cadeia produtiva. Os suplementos à base de vitaminas, minerais e nutrientes complementam a dieta e potencializam o ganho de peso do animal, de acordo com o diretor comercial da Premix, Márcio Guidolin.

– É uma aposta. Vai crescer bastante ao longo dos anos e, junto com isso, a suplementação vem crescendo na mesma proporção. Hoje nós encontramos um cenário de profissionalização da pecuária. A necessidade do confinamento vai se tornando cada vez maior, para conseguir fechar o ciclo, principalmente no período de seca. Junto com isso, o cenário para suplementação é muito bom – aponta.

O produtor Alberto Pessina diz ter começado a utilizar o sistema em 1995. Atualmente, confina seis mil animais por ano. Com a estiagem que atingiu diversas regiões do país, foi necessário segurar o rebanho por mais tempo do que o habitual.

– Eu nunca tive que segurar animais no confinamento por período tão longo sem conseguir soltar. Choveu 50% menos do que deveria – relata.

Ele acrescenta que a prática exige investimento em estrutura e tecnologia.

– Conforme vai aumentando o grau de tecnificação, terá uma boa gestão administrativa do negócio, tanto na parte de compra, de insumos, avaliação de mercado, compras. Se não tem a cria, é obrigado a comprar, saber comprar bem, o momento de comprar, vender, montar esta operação, de modo que obtenha um resultado interessante – explica.

O confinamento é prática utilizada em grande escala em países como os Estados Unidos. No país, 90% do total de abates são de animais confinados. O Brasil, por sua vez, mesmo com o entusiasmo dos produtores, ainda está longe desta realidade. Representantes do setor apontam que o valor do boi magro e o alto custo da ração, em função do preço do milho, são fatores agravantes.

Fonte:  Ruralbr

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