Conferência ainda sem autoridades de peso

Crise ameaça deixar Rio+20 em 2° plano

O alerta é do presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Para ele, seria irreal imaginar que dirigentes de países afetados pela crise global abram mão do crescimento em nome de restrições ambientais como as que serão discutidas no encontro que começa amanhã no Rio. PAGlNAS 8, 10 E 11

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20) começa amanhã no Rio de Janeiro sem uma lista oficial de chefes de Estado que estarão presentes no evento e sem qualquer confirmação de presença dos líderes dos países mais ricos e poluentes do globo. O Itamaraty diz que, até agora, 115 chefes de Estado confirmaram presença na conferência, quantidade superior à de líderes presentes na Rio92: 108. A Rio +20, maior evento sobre meio ambiente que o Brasil recebe desde a cúpula de 1992, será realizada entre 13 e 22 de junho. Os chefes de Estado estarão na cidade carioca nos dias 20, 21 e 22.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro da Inglaterra, David Cameron, não comparecerão, conforme as manifestações das diplomacias dos três países até agora. Para o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Rio +20, Sha Zukang, a participação desses chefes de Estado não está completamente descartada. É o mesmo posicionamento do Itamaraty. O órgão, pelo menos oficialmente, sustenta que Obama, Merkel e Cameron poderão confirmar presença no evento ao longo dos dez dias de reuniões. "Confirmações podem ser feitas de última hora", diz a coordenação de imprensa do Comitê Nacional de Organização da Rio +20, ligado ao Itamaraty.

"As ausências não enfraquecem. Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha estarão muito bem representados", disse ontem Sha Zukang, após encontro com o prefeito do Rio, Eduardo Paes. A partir de amanhã, delegações de 194 países membros da ONU começam a discutir os dois principais temas da Rio +20: economia verde no contexto da erradicação da pobreza e estrutura institucional para sustentabilidade. As rodadas de negociações objetivam formalizar o texto que será apresentado aos chefes de Estado entre 20 e 22 de junho. A intenção é apresentar um texto mais "enxuto" e com "mais clareza" aos líderes dos países. Do evento, será elaborado um documento final, com propostas a serem adotadas pelos signatários participantes.

Detalhes finais

Hoje, às 16h, os ministros de Relações Exteriores, Antonio Patriota, da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, fazem no Rio de Janeiro a última reunião antes do início oficial da Rio +20. Eles acertam os detalhes finais do evento, que passou a ser tratado com prioridade alta pelo governo brasileiro, principalmente em razão da possibilidade de fracasso nas negociações e de baixo comparecimento de líderes dos países mais desenvolvidos.

A presidente Dilma Rousseff já autorizou via decreto, por exemplo, o pagamento dobrado de diárias para servidores públicos federais e militares que trabalharão na Rio +20. O alto custo de hospedagem na cidade, por causa do evento, levou algumas delegações internacionais a cancelarem a participação, o que irritou a presidente. O custo estimado da Rio +20 para o governo brasileiro é de R$ 430 milhões, dos quais R$ 200,1 milhões serão gastos pelo Itamaraty. São esperadas 50 mil pessoas credenciadas pela ONU.

"As ausências não enfraquecem. Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha estarão muito bem representados"

Sha Zukang, secretário-geral da ONU para a Rio +20

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Fonte: CORREIO BRAZILIENSE – DF