Condomínios de armazém surgem como oportunidade para estocagem de grãos

Dados da Confederação Nacional da Agricultura  (CNA) apontam um déficit de 30% entre a produção e a estocagem segundo as normas corretas. Diante desse cenário surge uma alternativa que pode amenizar a carência do número de armazéns, principalmente nas propriedades rurais. Os “condomínios de armazéns” são espaços coletivos gerenciados por grupos formados pelos próprios agricultores.

O sistema surge como alternativa às cooperativas que recebem grãos para estocagem, mas que acabam por pressionar os produtores rurais, ao negociar e fixar preços à sua maneira, com retenção de pequena parcela da produção agrícola na entrega.

Nessa iniciativa os produtores somam esforços para investir em uma infraestrutura de recepção e armazenagem de grãos, com a preocupação de manter os padrões de mercado. Geralmente, grande parte das obras é financiada por programas de créditos e bancos privados.

Para o vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) Hélio Sirimarco, os condomínios são vantajosos “porque permitem aos produtores que, individualmente não teriam condições de arcar com os custos de armazenagem do produto, possam fazê-lo, criando as condições para o gerenciamento da comercialização da produção”.

A criação dos "condomínios de armazéns" é elaborada por sócios. Sirimarco explica que “eles têm um percentual de participação que é definido a partir da cota que cada um compra. Ela varia de acordo com o nível de produção e o tamanho da propriedade”.

Em relação às despesas, o presidente da SNA afirma que “a manutenção da infraestrutura é paga em cima de uma porcentagem mínima de cada condômino, por ocasião da entrada do produto”.

Os condomínios apresentaram bons resultados no Paraná. O primeiro foi construído há quase dez anos no município de Palotina, reunindo 14 agricultores. Atualmente, em mais uma fase de ampliação, sua capacidade de armazenamento deverá passar de 16 mil para 25 mil toneladas de grãos.

Também em Palotina oito agricultores resolveram investir cerca de R$ 8 milhões (valor quase cem por cento financiado), na construção do Agroparaíso, que foi concluído em 2013, e tem a capacidade para armazenar mais de 20 mil toneladas de grãos.

O Paraná – que é o segundo maior produtor de soja do País – já desponta como um foco na criação de condomínios de armazéns.

Datagro


Fonte: Famasul

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