Condomínio adota geração eólica e solar

Fonte:  valor | Por Chico Santos

Aline Massuca/Valor/Aline Massuca/Valor
Lima, diretor da Ecoglobal, explica que o projeto não visa autonomia energética, mas economia com a conta de luz

Um condomínio residencial com oito prédios e 512 apartamentos cujas partes comuns são abastecidas com energia de origem eólica, o estacionamento é equipado com tomadas para carregar carros elétricos e a água para uso sanitário (descargas domésticas) vem de captação pluvial.

É o que promete entregar em 2016 a construtora carioca Calper, a partir de um projeto desenvolvido em conjunto com a Ecoglobal, responsável pelo projeto de sustentabilidade, e a Cintrax, que está começando a produzir no país um tipo de aerogerador de uso doméstico que se adapta ao propósito da construtora. Ao menos no Rio de Janeiro, eles garantem que é o primeiro projeto com tamanho grau de sustentabilidade.

O engenheiro Davidson Meira Jr., da Calper, um dos responsáveis pelo projeto, explica que cada edifício do condomínio será equipado com um aerogerador de 1.000 a 1.600 watts/hora e com uma bateria de placas de captação solar com a mesma capacidade. O objetivo é que haja sempre a disponibilidade de alguma energia de origem limpa para uso nas partes comuns, como portaria, corredores e até para alimentar a máquina do exaustor central do edifício, explica o engenheiro José Luiz Bastos, da Cintrax.

Como a produção será limitada, o sistema de geração própria será conectado a uma rede que, de forma automática, passa a utilizar energia da Light sempre que a demanda for superior à geração alternativa. Bastos explica que a energia produzida será convertida diretamente para consumo residencial, sem necessidade de subestações, graças a um aparelho chamado inversor de conexão à rede.

Conectada em um ponto após o relógio que marca o gasto de energia vinda de fonte externa, o sistema de geração própria poderá trazer uma economia de até 50% na conta de luz condominial, estima Bastos. Meira, da Calper, estima em até 20% a economia no custo condominial para o condomínio que será construído no Recreio dos Bandeirantes (zona oeste do Rio).

Meira explica que o projeto de geração de energia elétrica própria vai custar cerca de R$ 400 mil, com impacto de apenas R$ 800 no custo de cada apartamento. Com isso, a construtora pode vender as unidades, de dois e três dormitórios, a preços que não diferem das construções convencionais.

O ambientalista Walter Lima, diretor da Ecoglobal, disse que do ponto de vista energético o projeto não visa a autonomia, mas economia de energia, incluindo o uso de lâmpadas de LED (mais econômicas) e de motores mais econômicos nos equipamentos, como aparelhos de ar condicionado.

Sobre as tomadas para carros elétricos, Lima disse que elas serão baseadas nas especificações de recarga utilizadas por um carro que a montadora Nissan já está trazendo para o Brasil e que é utilizada também por outras montadoras, como a GM. O acesso à tomada será feito com o cartão de acesso do morador ao condomínio, de modo que o custo da recarga será debitado da cota condominial.

O ambientalista disse também que o uso de água pluvial para as descargas domésticas é inédito no Brasil e que a água da chuva será utilizadas também para regar plantas e para outras atividades de uso geral do condomínio, como lavagem de dependências, de veículos, etc. Será usado um sistema de microdrenagem do solo, de tal modo que a captação continua mesmo após a chuva.

Bastos, especializado em eletrônica, disse que até agora a Cintrax só forneceu poucos aerogeradores: para uma fazenda em Santa Catarina, para uma casa em Belo Horizonte, um prédio em Salvador e para o condomínio Via Barra, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio). Como a demanda é pequena, ele terceiriza a fabricação, mas o plano é montar uma fábrica própria.

Bastos avalia que a fábrica vai se viabilizar quando for votado no Congresso Nacional o projeto 630/2003, regulamentando a microprodução privada de energia elétrica. Com a nova lei, segundo ele, será possível produzir energia em casa e vender o eventual excedente para a distribuidora.

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