Conceito de ecoeficiência já está incluído na pauta

Divulgação / Divulgação
Pousada Vilarejo, em Gonçalves, sul de Minas: lareiras dos chalés são abastecidas por galhos caídos das árvores

Quando surgiu, ainda nos anos 80 do século passado, acreditava-se que a sustentabilidade era um conceito distante da realidade, ou então um objetivo possível de ser alcançado somente por grandes corporações. Hoje, além de já ser percebida como um fundamento da civilização, passou a ser um diferencial competitivo para empresas de todos os portes, nos variados segmentos econômicos e regiões.

Em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, Francisco Severiano Alves percebeu que a adoção de práticas sustentáveis traria ganhos econômicos para sua oficina de reparação automotiva. Dez anos atrás, quando Francisco comprou a sede atual da Oficina Chiquinho, ele instalou telhas transparentes para aproveitar a luz do dia e economizar na conta de energia. Esse tipo de telha custa três vezes mais que a comum, mas a compensação aparece na conta de luz. Junto com a economia, veio a consciência ambiental.

"A primeira coisa que os clientes olham é a limpeza e a organização da oficina, que é um diferencial nosso", diz Francisco. A limpeza deve-se ao fato de que nada ali é desperdiçado. A água da chuva é armazenada em tanques e tratada. Depois segue para utilização na lavagem das peças, do chão da oficina e vasos sanitários. "Economizo 70% com água e luz", diz Francisco. Embalagens plásticas, de papelão, peças usadas, resíduos de graxa e o óleo descartado dos veículos são vendidos para empresas de reciclagem, resultando em R$ 300 por mês, que são revertidos em benefícios para os sete funcionários.

A preocupação com o ambiente também faz parte do negócio da Pousada Vilarejo, inaugurada há dois anos em Gonçalves, no sul de Minas. "Somos parte da natureza e queremos preservar esse ambiente natural para que as gerações futuras possam desfrutar dele", diz Gustavo Ferreira, proprietário da pousada, que tem quatro funcionários e seis chalés, todos equipados com lareira. "Só usamos galhos que caem das árvores", diz Ferreira. Ele mantém 24 mil m2 de mata preservada, garantida pelo Instituto Estadual de Florestas, que nunca poderá ser desmatada. A pousada também adotou, desde o ano passado, um sistema de participação nos lucros para os funcionários.

Duas vezes por semana Ferreira leva o lixo reciclável para São Paulo, onde mora, porque na região não há serviço de coleta seletiva. No café da manhã e jantar, a preferência é por alimentos produzidos na região. O lixo orgânico segue para compostagem, que é transformada em adubo para as plantas da pousada. Uma roda movida pela força da cachoeira envia a água da mina para os reservatórios da pousada, sem gasto de energia elétrica. Todo o projeto de construção da pousada foi feito prevendo um sistema de captação da água da chuva, cuja implantação está prevista para um futuro próximo.

Em Salvador, a sustentabilidade entrou literalmente na moda. O Ateliê Márcia Ganem produz tecidos, joalheria e moda com materiais reciclados, usando ao mesmo tempo técnicas artesanais e inovadoras que já desfilaram pelas principais passarelas do mundo fashion. "Pesquisamos insumos o tempo todo porque o nosso trabalho mistura inovação e tradição", explica a estilista e empresária Márcia Ganem. Uma das criações é a técnica denominada "flor da maré", que utiliza tecidos feitos à base de fibra de poliamida (um resíduo do processo de fabricação de pneus) e renda de bilro (uma arte secular produzida pelas "rendeiras de Saubara", cidade do Recôncavo Baiano). O fio de poliamida é inovador e foi patenteado nos EUA e em países europeus. No Brasil, está em processo de registro.

O ateliê tem oito colaboradores diretos, mas em Saubara são 120 rendeiras que atuam como parceiras nos projetos. "Resgatamos e fortalecemos a cultura tradicional, mas também renovamos esse trabalho para que ele permaneça não apenas como tradição", afirma. Por influência desse trabalho, Saubara vai ganhar, em maio, um Centro de Cultura.

De Salvador para um outro lado do Brasil, em Cuiabá, uma instituição particular de ensino infantil e fundamental vai além da pedagogia convencional para conscientizar seus alunos a respeito das práticas sustentáveis. Na Escola Chave do Saber, as torneiras dos banheiros são temporizadas, com jatos de água que duram no máximo oito segundos. "Conseguimos economizar 50% nos gastos com água e energia elétrica", diz Glória Aquino, sócia-proprietária da escola.

Fonte: Valor | Por Mario Rocha | Para o Valor, de São Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *