Conab estima queda de até 15% na safra 2017/18 de café

A primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2017/18 de café no Brasil indica uma produção entre 43,65 milhões e 47,51 milhões de sacas de 60 quilos, um decréscimo entre 15% e 7,5% na comparação com as 51,37 milhões de sacas produzidas no ciclo 2016/17. Conforme divulgou ontem a Conab, em relatório, a bienalidade negativa e as condições climáticas desfavoráveis em algumas regiões de produção do país explicam a previsão de recuo. O levantamento foi realizado em dezembro.

Do volume previsto, a Conab estima que a produção de café arábica deve ficar entre 35,01 milhões e 37,88 milhões sacas, com redução de 19,3% a 12,7% na comparação com a temporada anterior. A principal razão para a retração é o ciclo de bienalidade negativa, que atinge principalmente o arábica.

Já a produção de café conilon, que caiu quase 30% na última safra no país em decorrência da seca, deve crescer entre 8,1% e 20,5%, para algo entre 8,64 milhões e 9,63 milhões de sacas. "Este resultado deve-se, sobretudo, à recuperação da produtividade na Bahia e Rondônia, bem como ao processo de maior utilização de tecnologias como o plantio de café clonal e ao maior investimento nas lavouras", diz o relatório da Conab.

O recuo na colheita de conilon no Brasil nas duas últimas temporadas, aliás, gerou problemas de abastecimento e alta de preços para a indústria torrefadora e de solúvel, que reivindicam a importação de café robusta da Ásia para aliviar a menor oferta.

De acordo com a Conab, a área de plantio de café (arábica e conilon) no Brasil deve ficar praticamente estável, em 2,23 milhões de hectares no ciclo 2017/18, cuja colheita começará em abril. A área destinada ao arábica é estimada em 1,78 milhão de hectares, sendo 1,2 milhão de hectares em Minas Gerais, maior Estado produtor do país.

Por sua vez, a área de conilon deve cair 2,8%, para 450,84 mil hectares. O Espírito Santo, que foi afetado por forte seca e calor na safra 2016/17, é o maior produtor, com área de 266,47 mil hectares. No Estado, a previsão da Conab é de que a produção na safra 2017/18 fique entre 4,605 milhões e 5,295 milhões de sacas ante 5,035 milhões de sacas na temporada passada.

Embora a Conab tenha sinalizado para uma recuperação da produção de conilon na safra 2017/18, o superintendente de Informações de Agronegócios da autarquia, Aroldo Oliveira Neto, reconheceu que a produção "ainda é um pouco inferior ao normal" para a espécie. Ele disse que as fortes secas nas últimas duas safras no Espírito Santo levaram cafeicultores do Estado a reduzir o investimento na cultura de conilon e houve abandono de áreas de cultivo. Assim, a retomada de produção e a renovação do parque cafeeiro no Estado "levam tempo".

O diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, Sílvio Farnese, disse que apesar da previsão de queda na produção de arábica, não há preocupação em relação ao abastecimento interno. Mas ele admitiu que, no caso do conilon, a situação é menos confortável.

"Devemos ter até 2018 um aperto no abastecimento, mas uma parte do arábica pode suprir alguma deficiência ou redução e oferta do café conilon. Mas esperamos ter um abastecimento normal. Não deve haver nenhuma crise no setor cafeeiro em 2017, que deve faturar mais de R$ 20 bilhões", acrescentou Farnese.

Os números divulgados pela Conab para a produção brasileira de café tiveram pouco impacto nas cotações futuras da commodity ontem na bolsa de Nova York, que foram influenciadas também pela queda do dólar ante o real. Os papéis com vencimento em maio encerraram o pregão com alta de 60 pontos, para US$ 1,5230 por libra-peso.

Por Fernanda Pressinott e Cristiano Zaia | De São Paulo e Brasília

Fonte : Valor

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