Comércio global de etanol deve arrefecer

Rafael Jacinto/Valor / Rafael Jacinto/Valor
"O mercado de hidratado não deve crescer em 2012. Andará de lado", diz Vaz

O mercado global de etanol dá sinais de arrefecimento em 2012. A desaceleração do crescimento econômico deve redundar em um menor avanço, ou até na queda, do consumo de combustíveis, afetando da mesma forma também a demanda por etanol, em especial nos principais países consumidores do biocombustível, como Brasil e Estados Unidos – a dupla que domina o comércio mundial.

A consultoria F.O. Licht prevê que as exportações globais de etanol vão cair em torno de 31% em 2012, para algo entre 5 bilhões e 6 bilhões de litro. No ano passado, foram 8,8 bilhões de litros.

Os Estados Unidos, que lideraram as exportações no ano passado, com 4,2 bilhões de litros de etanol (1,1 bilhão de galões), podem perder competitividade na Europa por causa do fim dos subsídios de 54 centavos de dólar por galão concedido a seus misturadores. "Em Roterdã, o etanol americano esteve em 2011, em média, 10% mais competitivo que os concorrentes", compara o consultor de gerenciamento de risco da consultoria FCSTone, Thiago Gil.

Os Estados Unidos devem perder espaço também no Brasil, uma vez que o governo brasileiro exigirá, a partir de abril, a contratação antecipada pelas distribuidoras do anidro que será consumido ao longo da safra, o que deixa pouco espaço para negócios no spot (sem contrato), diz o diretor da comercializadora de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues. "As chances de os Estados Unidos conseguirem embarcar mais 1 bilhão de litros ao mercado brasileiro, como foi em 2011, são pequenas", afirma Rodrigues.

O chefe de gabinete da Associação dos Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês) dos EUA, Matt Hartwig, acredita que os mercados de Europa, Canadá e Brasil ainda deverão se manter como boas oportunidades para as exportações americanas. O executivo afirma, ainda, que não acredita em uma redução do consumo interno de etanol em 2012. Segundo ele, essa demanda deve atingir pelo menos o volume definido pela respectiva política do governo americano (RFS, na sigla em inglês).

  

Nos EUA, os dados oficiais projetam uma necessidade de produção de 49,9 bilhões de litros de etanol em 2012, o equivalente a 10% do consumo projetado para a gasolina, de 499 bilhões de litros – o etanol é misturado à gasolina no percentual de 10%.

Mas o especialista da FCStone informa que alguns analistas estão prestando mais atenção às projeções oficiais, de forma que já consideram que a demanda por gasolina poderá ser menor, de cerca de 492 bilhões de litros. Se confirmada a retração, o consumo de etanol pode diminuir para 49,2 bilhões de litros.

Em 2011, a demanda americana por etanol foi de 47,3 bilhões de litros. A produção foi de 54,8 bilhões de litros e, considerando-se importações e exportações, o saldo da oferta total no país atingiu o recorde de 56,4 bilhões de litros. "Houve uma antecipação da demanda no fim de 2011 por parte dos misturadores que quiseram aproveitar os últimos meses de subsídio, que expirou em 31 de dezembro", lembra o consultor da FCStone.

No Brasil, o crescimento também deve ser menor entre os combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol), afirma o presidente-executivo do Sindicom, Alísio Mendes Vaz, que representa as empresas distribuidoras de combustíveis.

Houve avanço de 6,3% em 2011, abaixo dos 9,4% registrados no ano anterior. Em números absolutos, o consumo dos combustíveis do ciclo Otto subiu 2,559 bilhões de litros em 2011 em relação a 2010 para 42,9 bilhões de litros. Já em 2010, a demanda cresceu mais, 3,456 bilhões de litros, em relação a 2009. "A frota de veículos aumentou, mas o crescimento na venda de combustíveis foi menor. O consumo das famílias vinha crescendo acima do PIB. Agora, a empolgação está arrefecendo", diz Mendes Vaz.

Ele avalia que em 2012 o crescimento do mercado de combustíveis no Brasil ficará próximo do avanço do PIB, estimado pelo Banco Central em 3,3%, o que novamente será um freio no avanço que vinha sendo registrado.

Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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