Comércio exterior perde 655 dias de trabalho em sete anos

Nos últimos sete anos, servidores da Receita Federal, Ministério da Agricultura, Anvisa e Ibama – órgãos envolvidos no desembaraço de mercadorias comercializadas com outros países – ficaram, se somados, 655 dias parados. Para a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a frequência dessas greves afeta a estabilidade do comércio exterior brasileiro. Parte dessas paralisações foram simultâneas, como ocorre agora.

O principal efeito acontece nas exportações de manufaturados, de acordo com o presidente em exercício da associação, José Augusto de Castro. "Essa instabilidade faz o mundo pensar melhor se vai comprar do Brasil. O problema é a manufatura, que é o setor que mais vinha sofrendo com a competição no mercado externo mesmo antes dessas paralisações."

A operação-padrão realizada pelos servidores da Receita completa 57 dias hoje, ultrapassando a greve de 2008, que durou um dia a menos. A categoria completa, somando todas paralisações e manifestações, 259 dias parados, ou em mobilização, desde 2005. O que traz instabilidade ao comércio é a duração das paralisações, diz Castro. "As greves são muito longas. A de 2008 durou 56 dias, e a de 2006, 66 dias. "

Neste ano, além da operação-padrão da Receita, as paralisações dos fiscais do Ministério da Agricultura (início em 6 de agosto) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dura 29 dias, também estão afetando o desembaraço de mercadorias. Segundo a AEB, existem cerca de 150 navios parados. Cada dia de atraso custa entre US$ 30 mil e US$ 80 mil por embarcação.

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Fonte: Valor | Por Rodrigo Pedroso | De São Paulo

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